O documentarista Frederick Wiseman morreu nesta segunda-feira, 16, aos 96 anos. A morte foi comunicada pela produtora fundada pelo próprio cineasta, a Zipporah Films. “Por quase seis décadas, Wiseman criou uma obra incomparável, um abrangente registro cinematográfico das instituições sociais contemporâneas e da experiência humana cotidiana, principalmente nos Estados Unidos e na França”, destacou a publicação. Considerado um dos maiores nomes do cinema documentário, ele construiu uma carreira singular marcada pela observação profunda da vida em sociedade. A seguir, relembre sua trajetória.
FREDERICK WISEMAN
INÍCIO DE VIDA E FORMAÇÃO
Frederick Wiseman nasceu em 1º de janeiro de 1930, em Boston, em uma família judia. Filho de Gertrude Leah e Jacob Leo Wiseman, teve uma formação acadêmica sólida, graduando-se em Artes pelo Williams College, em 1951, e em Direito pela Faculdade de Direito de Yale, em 1954.
Após concluir os estudos, serviu o Exército dos Estados Unidos entre 1954 e 1956. Em seguida, passou um período vivendo em Paris, experiência que ampliaria sua visão cultural e artística. De volta aos Estados Unidos, atuou como professor no Instituto de Direito e Medicina da Universidade de Boston, antes de decidir seguir o caminho do cinema.
ESTREIA E NASCIMENTO DE UM NOVO OLHAR
Wiseman iniciou sua trajetória no audiovisual produzindo The Cool World (1963), mas foi com Titicut Follies (1967), seu primeiro trabalho como diretor, que chamou atenção internacional. O documentário, ambientado em uma instituição psiquiátrica, revelou seu estilo rigoroso e sem concessões, além de estabelecer o tom que definiria sua carreira.
A partir desse ponto, passou a dirigir e produzir todos os seus filmes, dedicando-se principalmente a retratar instituições sociais, como hospitais, escolas, tribunais e departamentos de polícia. Sua proposta era investigar, por meio do cotidiano, o funcionamento e as contradições dessas estruturas.

ESTILO QUE REINVENTOU O DOCUMENTÁRIO
Seus filmes são frequentemente associados ao chamado cinema direto, mas Wiseman rejeitava rótulos simplistas. Ele preferia definir suas obras como “ficções da realidade”, destacando o papel fundamental da montagem na construção narrativa. Ao contrário de muitos documentários tradicionais, seus trabalhos não utilizavam narração, entrevistas ou explicações didáticas. Em vez disso, apostava exclusivamente na observação e na organização dramática das imagens, criando experiências imersivas que convidavam o espectador à reflexão.
Wiseman costumava filmar mais de cem horas de material bruto e passava meses editando, buscando a estrutura ideal. Para ele, o drama estava presente nas situações mais comuns, desde uma reunião administrativa até a rotina de um funcionário público.
CONSAGRAÇÃO E RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
Ao longo da carreira, conquistou reconhecimento em alguns dos principais festivais de cinema do mundo, incluindo Berlim, Cannes, Veneza, Sundance, Chicago e San Sebastián. Entre 1969 e 1970, venceu três prêmios Emmy por seus trabalhos em Law and Order e Hospital. Em 2017, recebeu um Oscar honorário por sua trajetória. Na ocasião, a Academia destacou que seus “documentários magistralmente elaborados e distintos examinam o que é familiar e revelam o inesperado”.
ÚLTIMOS ANOS E DESPEDIDA
Mesmo em idade avançada, Wiseman manteve-se ativo. Seu último filme foi Menus-plaisirs: Les Troisgros, lançado em 2023, no qual acompanhou os bastidores de um tradicional restaurante francês. Em entrevista concedida em 2025, anunciou que estava se aposentando, afirmando não ter mais energia para enfrentar um novo processo de produção. Ainda assim, continuou envolvido com o cinema, inclusive participando como ator em alguns projetos recentes.
Ele foi casado com Zipporah Batshaw Wiseman (que faleceu em 2021) desde 1955 e teve dois filhos, David e Eric.

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