Quem levará o Leão de Ouro? A resposta começa a ser respondida nesta quarta-feira, 02, quando começa a 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza! Até o dia 12, a cidade italiana recebe uma programação marcada por grandes nomes do cinema, estreias aguardadas e forte presença de temas políticos e sociais, que já aparecem entre os principais assuntos da cobertura internacional do evento. Siga o fio e confira os destaques!
FESTIVAL DE VENEZA 2026
VENEZA MAIS POLÍTICA
A 83ª edição chega à abertura atravessada pelos acontecimentos do mundo contemporâneo. A programação aborda temas como a guerra em Gaza, a invasão russa da Ucrânia, a imigração nos Estados Unidos e o crescimento do poder de bilionários, enquanto a presença de grandes produções hollywoodianas é menor do que em anos anteriores. Para Alberto Barbera, diretor artístico da Mostra, à Reuters, a seleção “reflete o envolvimento cada vez maior dos cineastas com as questões do presente”.
A questão palestina, aliás, já vinha mobilizando manifestações antes mesmo da abertura. O coletivo Venice4Palestine articulou uma nova carta pedindo que o Festival de Veneza e a Bienal adotem medidas concretas de apoio à população palestina, incluindo o hasteamento da bandeira palestina durante o evento. Entre os signatários estão a escritora Annie Ernaux, vencedora do Nobel de Literatura, e Roger Waters, além de nomes como Nan Goldin e Céline Sciamma.
A programação também reforça esse eixo político com quatro produções relacionadas à guerra em Gaza, entre elas Naza, de Yuval Abraham e Rachel Szor, realizadores de Sem Chão, vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2025. O filme, produzido com participação do The Guardian e com Jonathan Glazer como produtor executivo, aborda a violência contra civis palestinos e será exibido na competição. Naza será exibido na competição pelo Leão de Ouro no dia 10.

REPRESENTATIVIDADE FEMININA
A representatividade feminina aparece como outro dos grandes assuntos da edição. Dos 21 filmes da competição principal, apenas um é dirigido por uma mulher: Woman Unknown (Kvinde Ukendt), de May el-Toukhy. Questionado sobre o desequilíbrio, Alberto Barbera, à Ansa, reconheceu que o resultado representava “um mínimo histórico dos últimos anos”. O diretor artístico afirmou que “a equipe esperava até o último momento encontrar mais filmes dirigidos por mulheres com qualidade considerada adequada para integrar a competição, mas acabou chegando a apenas um título”.
No entanto, vale lembrar que há contraste com outras posições da estrutura de Veneza. O júri da competição principal, por exemplo, é presidido por Maggie Gyllenhaal e também conta com a diretora tunisiana Kaouther Ben Hania e a cineasta afegã Shahrbanoo Sadat. A edição começa, portanto, com um paradoxo: mulheres ocupam posições de destaque entre os responsáveis por avaliar a competição, mas estão sub-representadas entre realizadores da principal mostra competitiva.

ESTRELAS NO LIDO
A programação também reúne títulos comandados por cineastas de grande prestígio. Na competição, estão nomes como Danny Boyle, com Ink; Casey Affleck, com Company; Werner Herzog, com Bucking Fastard; Hirokazu Koreeda, com Look Back; Martin McDonagh, com Wild Horse Nine; e Nanni Moretti, com Succederà Questa Notte. Fora da disputa principal, outros nomes conhecidos também marcam presença. Gael García Bernal dirige Hombre al Agua na seção Spotlight, enquanto Paul Schrader apresenta The Basics of Philosophy na Venezia Open – Ficção. Na área de não ficção, Russell Crowe assina What Love Builds, Amos Gitai participa com The Road to Jericho, e Wim Wenders apresenta From Inside Out: The Architecture of Peter Zumthor. Já Luca Guadagnino integra a programação dedicada a filmes sobre cinema com Joie de Vivre.
OASIS É UM DOS CHAMARIZES
E entre as produções com maior potencial de repercussão popular está Oasis: Don’t Look Back in Anger, documentário dirigido por Steven Knight, criador de Peaky Blinders. O filme acompanha a trajetória da banda britânica e reúne dois nomes que prometem movimentar o tapete vermelho: Noel e Liam Gallagher.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Outro assunto interessante está na própria forma de realização de um dos títulos selecionados. Be Brave, documentário de Francesco Carrozzini sobre Renzo Rosso, fundador da Diesel, utiliza inteligência artificial em sua construção. Segundo o Head Topics, Carrozzini não filmou nenhuma imagem de Rosso para o documentário. Em vez disso, o personagem foi recriado em diferentes fases da vida por meio de IA. A produção vem sendo apontada como uma das primeiras obras com uso de IA a chegar a um grande festival internacional desse porte, colocando a tecnologia no centro de uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço no audiovisual.
BRASIL NA COMPETIÇÃO
E a participação brasileira na principal mostra competitiva virá com Retorno a Buenos Aires, novo filme de Marco Bechis, uma coprodução entre Brasil e Itália. A seleção marca o retorno do país à disputa pelo Leão de Ouro após Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, que deixou Veneza com o prêmio de Melhor Roteiro antes de iniciar a trajetória que culminaria na conquista do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Embora ambientado na Argentina, Retorno a Buenos Aires representa o Brasil por meio de sua coprodução e integra uma seleção bastante disputada, reforçando a presença do cinema brasileiro.

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