A internacionalização do cinema latino-americano esteve no centro dos debates da 20ª CineBH: Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (2026). Realizado nessa quinta-feira, 24, o Seminário Internacional Entre Cinemas reuniu profissionais de diferentes países para discutir caminhos de circulação, coprodução e sobrevivência dos filmes para além do circuito tradicional de festivais e mercados. Siga o fio e fique por dentro!
CINEBH 2026
O CINEMA LATINO-AMERICANO NO MUNDO: QUE INTERNACIONALIZAÇÃO QUEREMOS?
Conduzida por Paulo de Carvalho, produtor e colaborador do Brasil CineMundi, a conversa reuniu os produtores Diego Castillo (Colômbia), Ivette Liang (Cuba/Colômbia), Julia Alves (Brasil) e a crítica Monica Delgado (Peru). O grupo discutiu as contradições entre ampliar a presença do cinema latino-americano em espaços internacionais e preservar as singularidades criativas e as condições materiais de cada produção.
A partir de sua atuação no laboratório Nuevas Miradas, da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, Ivette destacou a importância de criar redes de contato capazes de impulsionar projetos. Entre as possibilidades, citou estratégias de coprodução com países latino-americanos que possuem políticas públicas para o audiovisual mais consolidadas, como a Colômbia.
Para Liang, ampliar essas conexões dentro da própria América Latina também pode abrir caminhos para que determinadas obras encontrem públicos mais próximos de suas referências culturais. “Compartilhamos cultura, idioma, o portunhol, uma história que nos une e nos instiga a tentar chegar a essas audiências”, afirmou.

Julia Alves, por sua vez, ressaltou a importância do Brasil CineMundi em sua formação profissional e defendeu que a internacionalização pode começar no próprio território brasileiro. “Podemos fazer isso daqui. Não precisamos ir até Cannes para encontrar coprodutores. É muito caro, necessita de logística, de apoio. Internacionalizar nem sempre é sair de onde se está, mas receber. Foi muito forte entender isso”, declarou.
A produtora também destacou o papel de políticas de incentivo e fundos capazes de estimular alianças entre países sem tradição de cooperação. Na distribuição, Alves citou a trajetória de Nosso Segredo, longa de estreia de Grace Passô, como exemplo de uma repercussão que pode assumir diferentes dimensões no mercado nacional e internacional, mesmo após a notoriedade conquistada no Festival de Berlim.
ROTAS ALTERNATIVAS PARA A CIRCULAÇÃO
Diego Castillo defendeu a necessidade de compreender as lógicas da indústria sem necessariamente reproduzi-las. “Precisamos entender lógicas da indústria, mas nem sempre obedecê-las”, afirmou. Segundo ele, festivais de menor porte podem oferecer aos filmes uma atenção mais próxima e particular, em vez de concentrar toda a estratégia de circulação em eventos considerados mais prestigiosos.
A crítica peruana Monica Delgado também chamou atenção para o potencial desses espaços de exibição. Segundo ela, festivais menores podem favorecer encontros mais próximos entre público e obra, permitindo uma compreensão mais substantiva dos processos envolvidos na realização dos filmes.
Delgado ainda levantou a possibilidade de “tratar a internacionalização como uma política de Estado”. Ao abordar o contexto peruano, a jornalista e programadora apontou dificuldades para a circulação de narrativas relacionadas à memória do país. Nesse sentido, caminhos não hegemônicos de circulação poderiam contribuir também para o debate social, cultural e político.
DOCUMENTÁRIO EM CIRCULAÇÃO
As discussões continuaram no início da tarde com o debate “Documentário em circulação: mercados, festivais e novas redes”. Mediada por Ivan Melo, a conversa reuniu Luiz González Zaffaroni, diretor executivo do DOCSP, o documentarista Marcos Pimentel, a diretora executiva Paola Castillo Villagrán e Walter Tiepelmann, diretor do FICBA: International Documentary Film Festival.

O encontro abordou as particularidades da circulação do cinema documental e a necessidade de pensar estratégias específicas de distribuição, análise e dimensionamento de impacto diante da diversidade e da dispersão de seus públicos. “Vemos uma parte muito pequena de um espectro maior de divulgação e circulação dos filmes”, observou Villagrán.
A discussão também chegou ao período posterior à passagem dos filmes por festivais e mercados. Tiepelmann destacou que muitas obras não encontram novas janelas de circulação depois desse percurso, levantando questões sobre como recuperar a atenção de públicos em um cenário marcado por dificuldades econômicas e institucionais. “É preciso um eletrochoque para não encontrarmos alguns cadáveres”, afirmou.
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A programação integra a 20ª CineBH, que acontece em Belo Horizonte até 27 de setembro, reunindo sessões de cinema, debates, atividades formativas e ações voltadas à indústria audiovisual. O Papo de Cinema está na capital mineira acompanhando de perto. Fique ligado em nossas redes sociais e aqui no site para não perder críticas, notícias, entrevistas e os principais destaques do evento!
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