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O cineasta húngaro Béla Tarr, de O Tango de Satã (1994) e O Cavalo de Turim (2011), morreu nessa terça-feira, 06, aos 70 anos de idade. Segundo a Academia Europeia de Cinema, da qual o cineasta era membro, Tarr faleceu “após uma longa e grave doença”. Reconhecido como um dos grandes nomes do cinema contemplativo e melancólico, Béla foi, entre os anos 1970 e 2010, aclamado em diversos festivais de cinema. A seguir, relembre sua trajetória.

BÉLA TARR

INÍCIO E FORMAÇÃO

Nascido na Hungria, em 21 de julho de 1955, Béla Tarr estudou na Faculdade de Cinema e Teatro de Budapeste, onde começou a desenvolver sua linguagem autoral. Sua primeira experiência como cineasta ocorreu ainda aos 16 anos e chamou a atenção do estúdio Béla Balázs, que passou a financiar seus primeiros trabalhos. Em 1979, realizou Hotel Magnezit, curta-metragem que marcou sua estreia oficial no cinema e revelou um olhar fortemente influenciado pelo realismo socialista. No mesmo ano, dirigiu seu primeiro longa-metragem, Ninho Familiar, aprofundando esse registro e consolidando sua entrada no cinema húngaro.

VIRADA ESTÉTICA E INFLUÊNCIA DE TARKOVSKI

A grande transformação em seu cinema aconteceu com a adaptação televisiva de Macbeth (1982). A partir dali, Tarr se afastou do realismo tradicional e passou a construir uma obra profundamente marcada pelo tempo dilatado, pela contemplação e por uma abordagem existencial, assumidamente influenciada pelo cineasta russo Andrei Tarkovski. Tornaram-se marcas recorrentes de seu estilo os planos-sequência extremamente longos, muitas vezes com duração equivalente a um rolo inteiro de 35mm, o uso expressivo do preto-e-branco e imagens de caráter abstrato e metafísico.

Béla Tarr
Béla Tarr

PARCERIA COM KRASZNAHORKAI E O CINEMA REMODERNISTA

A partir de Danação (1988), todos os seus filmes foram realizados em colaboração com o escritor László Krasznahorkai, parceria central para a consolidação de sua filmografia. Nesse período, o cinema de Tarr passou a ser associado ao chamado “cinema remodernista”, conceito difundido pelo realizador norte-americano Jesse Richards, que via em seus filmes “uma consciência radical do tempo e do momento presente”. Richards destacava, por exemplo, o plano inicial de O Tango de Satã, um travelling de sete minutos acompanhando um rebanho bovino por uma aldeia húngara, como “algo raramente tolerado pelo cinema moderno”.

O TANGO DE SATÃ E O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

Adaptado do romance de Krasznahorkai, O Tango de Satã (1994) tornou-se a obra mais emblemática de Béla Tarr. Com 450 minutos de duração, o filme foi realizado ao longo de sete anos e, segundo o próprio diretor, possui exatamente o mesmo tempo que um leitor levaria para ler o livro original. Com première no Festival de Berlim, o longa passou a ser considerado por muitos críticos um dos filmes mais importantes dos anos 1990. Sua influência atravessou fronteiras, sendo reconhecida por cineastas como Gus Van Sant, que apontou diversas vezes Tarr como um dos poucos realizadores verdadeiramente visionários de seu tempo, com impacto direto em obras como Elefante (2003).

COLABORADORES E OBRAS POSTERIORES

Ao longo da carreira, Tarr manteve um núcleo criativo recorrente, com destaque para Mihály Vig (trilha sonora), Gyula Pauer (cenários e figurinos), Gábor Medvigy (direção de fotografia) e Ágnes Hranitzky, montadora, codiretora e sua companheira. Entre seus filmes posteriores, destacam-se A Harmonia Werckmeister (2007) e O Homem de Londres (2007), exibidos no Festival de Cannes, e O Cavalo de Turim (2011), premiado no Festival de Berlim. 

DESPEDIDA DO CINEMA E LEGADO

Em 2009, Béla Tarr anunciou sua aposentadoria após concluir O Cavalo de Turim. No entanto, ainda realizou o curta Muhamed, em 2017, e o longa Missing People, em 2019. Este último, sua derradeira contribuição ao audiovisual. 

Além da carreira como diretor, Tarr teve papel fundamental na formação de novas gerações: foi professor convidado da Academia de Cinema e Televisão de Berlim desde 1990, participou da criação do Festival de Cinema de Sarajevo e fundou o Sarajevo Film Factory. 

Sua morte encerra a trajetória de um cineasta que redefiniu a experiência do tempo na Sétima Arte e cuja obra permanece como referência incontornável do cinema de autor contemporâneo.

Béla Tarr
Béla Tarr

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