A atriz norte-americana Barbara Barrie morreu na última quarta-feira, 28, aos 95 anos, em sua casa, em Manhattan, Nova York. A informação foi confirmada por sua filha, Jane Harnick, ao jornal The New York Times. Diagnosticada com câncer terminal, a artista optou pela morte medicamente assistida, conforme previsto na legislação do estado de Nova York. Barrie construiu uma carreira de aproximadamente sete décadas no teatro, no cinema e na televisão – sendo indicada ao Oscar, ao Tony e a três prêmios Emmy. A seguir, relembre sua trajetória.
BARBARA BARRIE
INÍCIO E FORMAÇÃO
Nascida Barbara Ann Berman em 23 de maio de 1931, em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos, cresceu em uma família judaica que se mudou para Corpus Christi, no Texas, quando ela tinha nove anos. Depois de concluir o ensino médio, chegou a estudar jornalismo no Del Mar College, mas posteriormente ingressou na Universidade do Texas em Austin, onde se formou em Artes Dramáticas em 1952. Após a graduação, mudou-se para Nova York para investir na carreira artística. Sua estreia profissional nos palcos aconteceu no início dos anos 1950, e, em 1955, chegou à Broadway com a peça The Wooden Dish. Nos anos seguintes, participou de montagens clássicas e integrou o American Shakespeare Theatre, em Connecticut.
A estreia de Barbara Barrie na televisão é frequentemente associada à série Love of Life, em 1951, na qual interpretou Ginny Crandall. Já no cinema, sua primeira participação aconteceu em Assim Caminha a Humanidade (1956). Seu primeiro papel cinematográfico creditado viria em Almas nas Trevas (1963).

CANNES E RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
Em 1964, Barrie conquistou um dos principais reconhecimentos de sua carreira ao vencer o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por One Potato, Two Potato, conhecido no Brasil como O Processo de Julie Richards. Dirigido por Larry Peerce, o drama acompanha Julie, uma mulher branca divorciada que se casa novamente com um homem negro. O relacionamento enfrenta o preconceito racial da sociedade e uma disputa judicial pela guarda da filha da protagonista. A atuação de Barrie recebeu destaque por abordar um tema delicado em uma época na qual o casamento interracial ainda enfrentava barreiras legais e sociais nos Estados Unidos.
O VENCEDOR E INDICAÇÃO AO OSCAR
O papel que lhe garantiu maior projeção junto ao público cinematográfico veio em O Vencedor (1979), drama dirigido por Peter Yates. Na produção, interpretou Evelyn Stohler, mãe de Dave, jovem apaixonado por ciclismo que sonha em se tornar um competidor profissional. A personagem é uma figura afetuosa e fundamental na vida do protagonista, vivido por Dennis Christopher.
Pela atuação, Barbara Barrie recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante na cerimônia de 1980 – perdendo para Meryl Streep por Kramer vs. Kramer. O filme também concorreu a Melhor Filme e venceu a estatueta de Melhor Roteiro Original. No ano seguinte, a atriz reprisou o papel de Evelyn em Breaking Away, série de televisão inspirada no longa, trabalho que lhe rendeu sua primeira indicação ao Emmy.
TEATRO, BROADWAY E TONY
Paralelamente ao trabalho diante das câmeras, Barrie manteve uma carreira expressiva nos palcos. Em 1970, integrou o elenco original da Broadway de Company, musical de Stephen Sondheim e George Furth, no qual interpretou Sarah. A atuação lhe rendeu uma indicação ao Tony de Melhor Atriz Coadjuvante em Musical, em 1971. Em 1974, destacou-se na montagem off-Broadway de The Killdeer, trabalho que lhe garantiu tanto o prêmio Obie quanto o Drama Desk Award de Melhor Atuação. Também participou de produções como California Suite (1976), de Neil Simon, e Torch Song Trilogy, na qual assumiu o papel da Sra. Beckoff em 1983. Em 2017, voltou à Broadway com Significant Other, de Joshua Harmon.
TELEVISÃO E INDICAÇÕES AO EMMY
Na televisão, Barrie construiu uma trajetória igualmente consistente. Entre 1975 e 1978, participou de dezenas de episódios de Barney Miller, série policial na qual interpretou Elizabeth Miller, esposa do protagonista vivido por Hal Linden. Mais tarde, entre 1996 e 2000, integrou o elenco de Suddenly Susan, comédia protagonizada por Brooke Shields, interpretando Helen, avó da personagem principal.

Ao longo da carreira, recebeu três indicações ao Emmy. A primeira veio em 1981, por Breaking Away, já citada acima. Em 1992, concorreu novamente na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática por sua participação em Lei & Ordem. A terceira indicação aconteceu em 2003, como Melhor Atriz Convidada em Série Dramática, por Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais. Barrie também participou de produções como Além da Imaginação, The Alfred Hitchcock Hour, Raízes: As Novas Gerações, Scarlett, Dead Like Me, Pushing Daisies e Enfermeira Jackie.
OUTROS DESTAQUES NO CINEMA
Nas telonas, Barrie também participou de outras produções de destaque. Em A Recruta Benjamin (1980), comédia estrelada por Goldie Hawn, interpretou Harriet, mãe da protagonista. Também esteve em Homens Duros (1987), ao lado de Jim Belushi e John Ritter, e emprestou sua voz a Alcmena, mãe adotiva de Hércules, na animação Hércules (1997), da Disney. Já em Judy Berlin (1999), drama independente dirigido por Eric Mendelsohn, viveu Sue Berlin, mãe da personagem interpretada por Edie Falco. O trabalho lhe rendeu uma indicação ao Independent Spirit Awards de Melhor Atriz Coadjuvante.
ESCRITORA E ATIVISTA
Além da atuação, Barbara Barrie também se dedicou à literatura. Em 1990, publicou “Lone Star”, romance infantil inspirado em experiências de sua própria infância. A experiência pessoal com o câncer também influenciou sua produção literária e seu ativismo. Diagnosticada com câncer retal em 1994, a atriz passou a falar publicamente sobre a doença e a importância da detecção precoce. Escreveu Second Act (1997) e Don’t Die of Embarrassment (1999), livros nos quais compartilhou sua experiência com o tratamento e a vida após uma colostomia. Em 2014, revelou ter sido diagnosticada com fibrose pulmonar idiopática.
VIDA PESSOAL E DESPEDIDA
Barrie foi casada com o diretor, ator e produtor Jay Malcolm Harnick a partir de 1964. Os dois tiveram dois filhos, Jane e Aaron. Harnick morreu em 2007. A atriz também deixa três netas. Sua última contribuição ao audiovisual se deu com Things Like This, de 2025.
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