Crítica

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Após um curta-metragem que recebeu menções honrosas em festivais diversos, o diretor Pedro Severien retorna à realização de filmes, remetendo a alguns dos sentimentos expostos em Loja de Répteis (2014), acrescentando uma nova gama de sensações à vivência de suas personagens. Todas as Cores da Noite trata de assassinatos, tradição e opinião pública, contando com uma abordagem curiosa do caso atroz que centraliza a história.

Fazendo uso de uma narração curiosa, acompanhada de cenas de arquivo, a encenação tragicômica da vida de alguém que teve seu cotidiano interrompido por um fatídico acontecimento. A intenção e o título do filme somente são anunciados após 17 minutos de exibição, focando em Íris (Sabrina Greve), moça que vive em um apartamento onde ocorrem reuniões pela parte da noite, com inúmeros desconhecidos. Tudo ocorre dentro da normalidade, até que um corpo desfalecido aparece na sala de estar, gerando na mulher uma série de lembranças e memórias inconvenientes e perturbadoras.

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A crítica de cinema especializada se dividiu a respeito do filme anterior de Severien, especialmente por ele conter uma história aquém da ótima fotografia apresentada. A imagem deste segue a mesma lógica de extremo esmero e a proposta narrativa, apesar de mais explícita, também brinca com detalhes herméticos, apesar de conter em si referências óbvias a produtos da cultura pop, referenciando filmes feitos ou produzidos por Quentin Tarantino, como Pulp Fiction (1995) e Eles Matam Nós Limpamos (1996), ainda que haja uma forte carga dramática ligada ao teatro de exageros.

O histrionismo mostrado nas cenas que revelam os meandros da relação de Íris com Fernanda (Brenda Lígia) beira uma exposição desnecessária, girando em torno de uma dramaturgia tão forçada que nos faz perguntar se não é proposital a caricatura da cena, tornando material uma sensação de não pertencimento, elevando o sentimento de algo exclusivo para um espectro universal do paradigma. Se a história de Todas as Cores da Noite se tratasse disso, possivelmente funcionaria melhor esta inversão de expectativa, mas se tratando de um episódio tão pitoresco e isolado, a trama perde força, por exacerbar demais a necessidade de romper com a métrica antes estabelecida, tentando ousar sem qualquer necessidade, resultando em uma frivolidade gratuita, fator que certamente Severien não queria para seu filme.

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O diretor apresenta um longa morno, perdido em sua própria proposta, e que, apesar da total entrega de Sabrina Greve à sua personagem - que merecia melhor sorte dentro e fora do roteiro -, não consegue resultar em algo muito além da mediocridade comum ao circuito brasileiro de cinema, tendo um agravo ainda maior se a comparação ocorrer no cenário pernambucano atual, ainda que haja bastante potencial no repertório de seu diretor.

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é Jornalista, Escritor e Editor do site Vortex Cultural (www.vortexcultural.com.br). Quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres, Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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