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Sinopse
Quarto do Pânico acompanha uma mulher e sua filha pré-adolescente que acabam de se mudar para uma casa equipada com um quarto secreto de segurança. Quando a residência é invadida por criminosos durante a madrugada, mãe e filha se refugiam nesse espaço aparentemente impenetrável. O problema é que o esconderijo guarda exatamente o objeto que os invasores procuram, transformando a noite em um jogo tenso de sobrevivência, inteligência e resistência psicológica. Suspense.
Crítica
Diante de qualquer refilmagem, algumas perguntas se fazem presentes. “O que há de novo?”, “qual o motivo de contar mais uma vez a mesma história?” e “a nova versão será melhor do que a anterior?” são alguns dos questionamentos comuns nestes casos. Frustrante, portanto, constatar o quanto nada disso se aplica a esse Quarto do Pânico brasileiro, remake do hollywoodiano O Quarto do Pânico (2002). O novo filme se contenta em ser apenas mais do mesmo, retirando no processo as eventuais camadas de complexidade que o original possuía (poucas, diga-se de passagem). E não que essa novidade seja mérito nacional. Há outras releituras da mesma obra, na Índia e até mesmo nos Estados Unidos, todas da mesma forma não dignas de nota. Mesmo destino ao qual parece fadado esse longa capitaneado pela até então promissora Gabriela Amaral Almeida.

Qualquer perspectiva de comparação é desfavorável ao projeto recente. Se antes os protagonistas eram os vencedores do Oscar Jodie Foster, Forest Whitaker e Jared Leto, esses foram substituídos por Ísis Valverde (a primeira brasileira a conseguir uma indicação entre os piores do ano nas Framboesas de Ouro), André Ramiro (que surgiu despertando atenções no primeiro Tropa de Elite, 2007, mas desde então vem tentando alcançar o mesmo destaque) e Marco Pigossi (que tem passado mais tempo no exterior do que trabalhando no Brasil). Também é certo que O Quarto do Pânico pode ser considerado como um dos longas “menores” da carreira de David Fincher, por assim dizer – não recebeu nenhuma premiação importante, nem está entre as maiores bilheterias do cineasta (nem entre as piores, para ser justo). Foi um título eficiente, que cumpriu sua missão de dialogar com o público e manter os nomes dos talentos envolvidos em alta, e não mais do que isso. Quase esquecido após mais de duas décadas do seu lançamento, o que provoca curiosidade, de fato, é o que teria motivado essa nova apropriação.
E não que o casting local tenha sido mal feito – apenas precisa lidar com sombras por demais claustrofóbicas. Quem melhor se sai nesse duelo é Ramiro, que consegue não apenas reproduzir o carisma de Whitaker, mas como também dota seu personagem de identidade própria, como o bandido que percebe desde o começo ter entrado em uma furada, mas simplesmente não consegue cair fora, e quanto mais se debate, mais se vê enredado pelos problemas de identificou lá atrás. Pigossi, por sua vez, está no extremo oposto. Os efeitos visuais e de maquiagem não lhe ajudam, e a conotação psicótica que tenta imprimir resulta em apenas um pastiche frente ao alcançado por Leto. O trio de invasores se vê completo com a presença de Caco Ciocler em um penteado risível – fazendo às vezes de Dwight Yoakam. Esse, praticamente desconhecido, não via problemas em usar uma máscara na maior parte do tempo. Ciocler opta por caminho inverso, e quando de fato decide se mascarar… é com uma imagem de si próprio! A ironia aqui se perdeu em algum momento, sem chances de ser recuperada.
A trama em si é praticamente a mesma: mulher que recém se mudou para uma casa nova junto com a filha adolescente descobre que seu novo lar foi invadido por três assaltantes durante a primeira noite das duas por lá. A questão é que não se trata de uma residência qualquer, mas uma verdadeira mansão, com muitos andares e espaços, e o tal quarto do pânico do título – um bunker aparentemente indestrutível, do qual uma vez que alguém se isole lá dentro seria impossível ser alcançado. O problema é que os caras querem uma grana que está escondida justamente nesse cômodo – da qual elas não tem ciência de sua existência – e, como ainda estavam se instalando, a conexão com a polícia ainda não havia sido feita. Ou seja, há as duas presas do lado de dentro, com os três do lado de fora ameaçando-as de todas as formas, mas sem poder fazer algo de fato. Há desdobramentos que provocarão uma mudança nessa dinâmica – um início de incêndio, a garota que tem diabetes e precisa de sua injeção, a chegada de um elemento externo – mas, em resumo, é praticamente a mesma coisa. Com um detalhe: todas as mudanças foram para pior.

No original, Jodie Foster surgia como uma mulher que havia sido deixada pelo ex-marido, trocada por uma oponente mais jovem. Agora, ela deixa de ser alguém querendo se vingar para se apresentar como uma vítima. Ísis Valverde se mostra frágil, após ter perdido o marido durante um assalto no trânsito e, portanto, traumatizada. Se antes o vilão assassinado de forma inesperada era o mais insuportável do trio, aliviando o desconforto e aumentado a tensão, agora quem cai fora antes é justamente o que menos importa, estendendo a permanência de um incômodo cuja função é mais desestabilizadora do que somatória ao stress de uma invasão. A possibilidade de um auxílio se confirma tão inútil que chega a ser incapaz de gerar qualquer tipo de esperança. E para finalizar, a protagonista é ser ameaçada de estupro, o que inexistia no outra versão. E isso que temos agora uma realizadora no comando. Por quê trazer à tona esse mesmo tipo de conceito desgastado e batido, o da mulher que não consegue se defender, ficando a mercê de tudo e todos, vista como objeto, e não capaz de tomar suas próprias decisões? Ou seja, o que se tem com esse Quarto do Pânico é uma obra não apenas desnecessária, mas equivocada em mais de um nível de sua abordagem.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 1 |
| Alysson Oliveira | 2 |
| Chico Fireman | 5 |
| Lucas Salgado | 6 |
| Francisco Carbone | 4 |
| MÉDIA | 3.6 |

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