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Sinopse
Em Pecadores, dois irmãos gêmeos, dispostos a deixar suas vidas conturbadas para trás, retornam à cidade natal para recomeçar suas vidas do zero. Os dois possuem um plano, e levam menos de um dia para colocar suas intenções em prática. Mas descobrem que um mal ainda maior está à espera deles. Horror.
Curiosidades
- OSCAR 2026: indicado a Melhor Filme, Direção, Ator (Michael B. Jordan), Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku), Ator Coadjuvante (Delroy Lindo), Roteiro Original, Casting, Fotografia, Maquiagem & Penteados, Trilha Sonora, Canção Original ("I Lied To You", de Raphael Saadiq e Ludwig Göransson), Som, Efeitos Visuais, Design de Produção, Figurino e Montagem;
- Critics Choice 2026: premiado como Melhor Direção de Elenco, Roteiro Original, Jovem Ator/Atriz (Miles Caton) e Trilha Sonora.
Indicado ainda a Melhor Filme, Direção, Ator (Michael B. Jordan), Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku), Fotografia, Figurino, Montagem, Design de Produção, Design de Dublês, Maquiagem & Penteados, Som, Canção ("I Lied To You", de Raphael Saadiq e Ludwig Göransson) e Efeitos Visuais;
- PGA Awards 2026: indicado a Melhor Produção em Cinema;
- DGA Awards 2026: indicado a Melhor Direção em Cinema;
- Actor Awards 2026: indicado a Melhor Ator (Michael B. Jordan), Ator Coadjuvante (Miles Caton), Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku), Elenco e Dublês;
- Globo de Ouro 2026: premiado como Melhor Trilha Sonora e em Cinematic & Box Office Achievement.
Indicado a Melhor Filme Drama, Direção, Ator em Filme Drama (Michael B. Jordan), Roteiro e Canção Original ("I Lied to You", de Raphael Saadiq e Ludwig Göransson);
- Satellite 2026: indicado a Melhor Filme Drama, Direção, Ator em Filme Drama (Michael B. Jordan), Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku), Roteiro Original, Design de Produção, Fotografia, Montagem, Som (Edição & Mixagem), Efeitos Visuais, Figurino, Trilha Sonora, Canção Original ("I Lied To You", de Raphael Saadiq e Ludwig Göransson) e Maquiagem & Penteados;
- Gotham Awards 2025: premiado como Melhor Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku) e Elenco;
- Grammy 2026: indicado a Melhor Trilha Sonora Compilação e Trilha Sonora Instrumental para Audiovisual;
- National Board of Review 2025: premiado como Melhor Roteiro, Fotografia e como um dos dez melhores filmes do ano;
- Sociedade Nacional dos Críticos de Cinema dos EUA 2026: premiado como Melhor Fotografia.
Indicado ainda como Melhor Filme (segundo lugar), Ator (Michael B. Jordan, em terceiro lugar), Ator Coadjuvante (Delroy Lindo, em segundo lugar), Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku, em terceiro lugar);
- Critics Choice Super Awards 2025: premiado como Melhor Filme de Horror e Ator em Filme de Horror (Michael B. Jordan).
Indicado ainda a Melhor Atriz em Filme de Horror (Wunmi Mosaku) e Vilão (Jack O'Connell);
- Orçamento: US$ 90 milhões;
- Bilheteria mundial: US$ 368,2 milhões;
- Ryan Coogler afirmou que suas maiores influências para esse filme foram Um Drink no Inferno (1996) e Prova Final (1998), ambos dirigidos por Robert Rodriguez;
- Jack O'Connell assinou contrato tendo lido o roteiro apenas uma vez, afirmando que havia aceito o convite pela oportunidade de cantar música folk irlandesa, uma vez que é fã do gênero;
- O filme possui duas cenas pós-crédito. Uma delas, aliás, "é a chave dessa história", segundo o próprio diretor;
- Primeiro filme de Ryan Coogler baseado em uma ideia sua e completamente original;

A dupla Michael B. Jordan e Ryan Coogler se tornou uma das mais sólidas dos últimos anos. Eles, até agora, não entregaram absolutamente nenhum filme ruim, por isso, eu estava com altas expectativas em relação a Sinners. Mas confesso que adotei um tratamento diferente para esse filme: eu sabia do que se tratava, porque havia lido algumas notícias, mas não assisti a nenhum trailer, nem li sinopse alguma. Fui ao cinema para ser pego de surpresa — e foi uma experiência positiva. Os irmãos gêmeos Smoke e Stack, ex-soldados e contrabandistas da Chicago de Capone, retornam à sua cidade natal, no Mississippi, com o objetivo de abrir um juke joint em um antigo moinho abandonado. No entanto, a inauguração do clube atrai a atenção de uma ameaça vampiresca, colocando os irmãos e a comunidade em perigo. Vou tirar o elefante da sala logo: o ponto que mais me incomodou no filme foi o comecinho. Os primeiros 15 minutos, para ser mais exato. Confesso que fiquei um pouco perdido — estava precisando de contexto. Todos os personagens já tratavam os irmãos como velhos conhecidos, mas nós, o público, não os conhecíamos, e eu queria saber mais sobre aquelas figuras. Os diálogos não estavam me apresentando quem eles eram. Demora um pouco para você captar as nuances dos gêmeos, entender as motivações deles naquele mundo. Se você estiver com um pouquinho de pressa, pode ser que o filme não te fisgue. Mas, a partir do momento em que as peças estão postas no tabuleiro, tudo funciona com muita aptidão. É um erro dizer que esse filme é um terror. Eu diria que, dos muitos gêneros que o compõem, o terror provavelmente é o de menor importância. Aqui temos suspense, sim, mas o que mais chama atenção é o drama histórico. O filme se passa em 1932, no Mississippi, uma região altamente racista, um dos berços da Ku Klux Klan, onde uma pessoa negra sofria dez vezes mais do que em qualquer outro lugar do país. Ali, ainda havia reminiscências muito fortes do período escravocrata — e o filme mostra isso. Os negros vão ao clube para se divertir, mas, ao mesmo tempo, não têm dinheiro para pagar por aquele momento, porque naquela época eles nem recebiam em dólar, mas em uma outra espécie de moeda sem valor real. Se você adentrar nos detalhes, verá que o filme não deixa você esquecer desse período horroroso, que muitos lembram com saudades. Mas, se pudermos definir um ponto alto da obra, sem sombra de dúvidas, é a música. Eu não sou o maior amante do blues, mas confesso que fiquei de boca aberta — seja nas canções, seja na trilha sonora excelente do Göransson. A música é um fator central, como é bem dito no próprio texto do filme: ela é a causa e a cura dos problemas da história. Então, se fosse uma trilha fraca, não funcionaria, mas como tudo ali é potente, ela funciona com perfeição. No campo das atuações, todo mundo manda muito bem. Michael B. Jordan dispensa elogios, você já consegue diferenciar os gêmeos e suas personalidades facilmente graças a construção apurado do ator. O restante também entrega ótimos desempenhos: Jack O'Connell está ótimo como vilão, Hailee Steinfeld também está muito bem, e a Wunmi Mosaku que eu não conhecia — mas que me impressionou com o talento — tem uma missão dificílima, já que ela é a figura encarregada de entender o que está acontecendo e explicar não só para os personagens como para nós, o público. Esse tipo de personagem geralmente corre o risco de se tornar chato, mas não foi o caso: ela deu um show. Sinners é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores surpresas do ano até agora. A direção do Ryan Coogler, como sempre, é muito boa; o elenco é excelente; a história é bem calçada em momentos de extrema importância e que nós não devemos nunca esquecer. Tudo isso alinhado com um bom suspense, cenas de terror interessantes — nada que vá te matar de susto, mas bem executadas. A estética é belíssima, com uma fotografia forte e marcante. Enfim, foi um baita acerto. E tudo isso reforça um ponto, já bastante discutido na internet: A Marvel desperdiça o potencial de seus diretores. Tenho certeza de que um Ryan Coogler sem a coleira, sem o Kevin puxando a guia, poderia fazer muito mais pela franquia Pantera Negra do que tem feito até agora. E esse filme é uma bela prova de que sim — ele tem muito potencial, e talvez esteja apenas sendo mal direcionado.