Picasso e o Roubo da Mona Lisa

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Sinopse

Em Picasso e o Roubo da Mona Lisa, o mais famoso quadro no mundo, sumiu. É quando os principais suspeitos logo tornam-se o pintor Pablo e o escritor Guillaume Apollinaire. Procurados pela polícia, eles tentam apontar a investigação para o lado de um conhecido ladrão de esculturas espanholas. Comédia/Crime.

Crítica

É importante não se entusiasmar demais com a falsa concepção sugerida pelo título nacional. Uma leitura rápida de Picasso e o Roubo da Mona Lisa pode dar a entender que o famoso pintor espanhol teria, em algum momento de sua vida, se envolvido no furto do mais importante quadro do italiano Leonardo Da Vinci. As motivações poderiam ser as mais diversas – traquinagem, inveja, fúria, insanidade – e dariam mão à inúmeras interpretações. Nas mãos de um condutor mais criativo, poderíamos nos encontrar diante de uma comédia absurda ou de um intrigante suspense. Infelizmente, não se tem nem uma coisa, nem outra. Ainda que não seja de todo frustrante, o longa assinado por Fernando Colomo entrega muito menos do que promete.

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A opção mais segura é seguir o caminho óbvio: como os minutos iniciais do filme já entregam, Pablo Picasso está de um lado, e o roubo da Mona Lisa, de outro. A trama se passa na Paris do início do século XX, mais precisamente em 1911, antes do cubista e de qualquer um dos seus amigos aqui retratados adquirirem os status célebres através dos quais foram eternizados com o passar dos anos. Eram apenas um grupo de desocupados, artistas principiantes que tentavam vencer na vida através de talentos ainda não descobertos e de um ou outro golpe menor. É mais ou menos o ambiente visto no frenético Moulin Rouge (2001), porém muito menos colorido e bem menos excitante. E também longe da poesia e da vã filosofia vislumbrada pelo singelo Meia-Noite em Paris (2011). De qualquer forma, não é inteiramente desprovido de charme, e se deparar com nomes como Henry Matisse e Gertrude Stein como personagens coadjuvantes é sempre interessante.

Assim como seu batismo original já antecipa, esta é a turma de Picasso (Ignacio Mateos, nada semelhante com a figura enérgica pela qual o pintor se tornou conhecido). Dentre este grupo se destaca o atlético e conquistador Barão (Alexis Michalik, de Aconteceu em Saint-Tropez, 2013), um malandro profissional que quase que ao acaso descobre que fazer pequenos furtos do acervo do Louvre poderia lhe render bons trocados. Alçado à posição de celebridade ao se tornar protagonista de um conto de Guillaume Apollinaire (Pierre Bénézit, de Uma Juíza sem Juízo, 2013), ele e o escritor se tornam os principais suspeitos quando a peça mais importante do acervo do museu – a aclamada Mona Lisa, já na época uma peça de referência internacional – é, de fato, surrupiada do seu local de exposição. O homem que um dia seria responsável pelo igualmente icônico Guernica é apenas uma testemunha privilegiada de todo esse imbróglio, e pouco tem a acrescentar ao enredo. Sua presença é catalisadora de atenção, mas seu envolvimento é mínimo.

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Fernando Colomo afirma ter escrito 14 versões do roteiro até chegar a essa levada às telas. Tamanha entrega e envolvimento parece ter lhe privado do distanciamento necessário para fazer de seu filme uma obra de interesse maior. Picasso e o Roubo da Mona Lisa tem o mérito de oferecer um olhar a um episódio real pouco explorado, porém sua abordagem é tão tangencial que resulta mais em uma nota de rodapé curiosa e menos em um estudo detalhado sobre os envolvidos no caso e as motivações que levaram cada um destes nomes de destaque a, de uma forma ou de outra, participarem, ainda que minimante, deste evento insólito. Tem seus méritos, mas estes estão definitivamente aquém das expectativas suscitadas.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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