O Segredo da Chef

Crítica


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Sinopse

Em O Segredo da Chef, uma cozinheira em ascensão, prestes a abrir o seu restaurante em Paris, na França, tem de regressar à sua terra natal devido a uma emergência familiar. Longe da vida citadina, as suas memórias ressurgem e as suas certezas são abaladas. Comédia/Drama.

Crítica

O Segredo da Chef é projeto que já nasce com algum caminho percorrido. A diretora Amélie Bonnin, aqui, amplia seu curta homônimo de 2021 apostando em encenação cuidadosa e simbólica, que apresenta Cécile, chef em ascensão na alta gastronomia parisiense, pressionada por reconhecimento e prestígio. O retorno à cidade natal, motivado por um novo problema de saúde do pai, surge como ruptura previsível desse cotidiano e como gatilho para reconciliações pessoais já anunciadas. Amélie conduz essa trajetória sem surpresas, confiando excessivamente na familiaridade do público com esse tipo de narrativa.

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A trajetória de Cécile, vivida com presença segura por Juliette Armanet, avança por trilha previsível. Ao retornar ao interior, a personagem carrega conflitos familiares e afetivos organizados quase de forma protocolar: o relacionamento funcional com o sous-chef Sofiane (Tewfik Jallab), a gravidez inesperada e o reencontro com Raphaël (Bastien Bouillon), amor adolescente ainda preso ao passado. As tensões se apresentam com clareza, mas raramente se aprofundam. O filme prefere contorná-las, oferecendo atritos rapidamente resolvidos, o que limita o impacto dramático de cada situação.

Essa sensação de superficialidade também atravessa dois elementos centrais da proposta: a comida e a música. A gastronomia, que deveria funcionar como espelho da transformação da protagonista, permanece curiosamente indefinida. Nunca fica claro se o enredo deseja criticar o esnobismo da alta cozinha, exaltar a simplicidade dos pratos caseiros ou simplesmente conciliá-los de maneira simbólica. Cécile não se mostra plenamente conectada a nenhum desses universos, o que enfraquece o arco pretendido. 

Já as passagens musicais, concebidas como extensão emocional dos personagens, carecem de energia e convicção. Quando os números surgem, não há entusiasmo nem entrega suficientes para justificar sua presença; ao contrário, a impressão é de um recurso que interrompe mais do que potencializa a narrativa. O musical, aqui, parece hesitar entre o afeto e a contenção, sem encontrar um tom verdadeiramente expressivo.

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Ainda assim, O Segredo da Chef encontra seus melhores momentos no trabalho de elenco. Juliette sustenta a protagonista com dignidade e carisma, mesmo quando o roteiro pouco lhe oferece além de conflitos esboçados. Mas é Bouillon quem imprime maior complexidade às cenas em que aparece. Versátil e sempre atento às nuances, o ator constrói Raphaël como uma figura melancólica, presa a sentimentos mal resolvidos, sugerindo camadas que o filme não se dispõe a explorar. No fim das contas, o longa se estabelece como uma experiência correta, jamais desastrosa, mas também distante de qualquer ousadia real. 

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]
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