Crítica

Quando os roteiristas Stewart Williams e Paul Hupfield aceitaram o desafio de pensar no título mais idiota possível para um filme, a resposta que lhes veio à mente foi Matadores de Vampiras Lésbicas! Só que eles acabaram se afeiçoando ao nome, e a partir disso surgiu o roteiro desta comédia de terror que pode ser tudo, menos assustadora. Aliás, a proposta se desdobrou em boas sacadas e num humor irônico e bastante sarcástico tipicamente inglês, que certamente não agradará a todos, mas aqueles que entenderem o espírito da coisa terão pela frente uma boa hora e meia de diversão.

A ideia geral, como era de se esperar, é entregue totalmente no título (nada mais óbvio, portanto). Mas, mesmo assim, chega a ser curiosa a inventividade dos realizadores, que conseguiram elaborar uma trama, por mais rocambolesca que seja, interessante. Uma cidadezinha perdida no interior da Inglaterra foi palco, no passado, de uma rainha vampira, que tinha como predileção seduzir e transformar todas as mulheres do vilarejo, despertando a ira dos homens locais. Derrotada por um nobre guerreiro, ela o amaldiçoa, prevendo que toda garota ali nascida, ao completar 18 anos, se transformará numa vampira lésbica, assim como ela. Esse encanto permanece por séculos, até a chegada de Jimmy (Mathew Horne) e Fletch (James Corden), dois amigos em férias. Junto com eles está um grupo de quatro garotas que se dizem adoradoras da lenda vampiresca, assim como a ex-namorada de um deles, que tenta reconquistar o amado, e o pastor da região, decidido a impedir que a maldição se repita com a própria filha, preste a atingir a idade temida.

Nada acontece conforme o esperado em Matadores de Vampiras Lésbicas, ao mesmo tempo em que tudo ocorre de acordo com o clichê. Parece contraditório, mas esse é o principal charme da produção: ao mesmo tempo em que brinca com elementos clássicos, como o herói tímido e a mocinha indefesa, estes aparecem ao lado de outras inovações moderadamente transgressoras, como belas sedentas por sangue que buscam eliminar a concorrência masculina. Uma vez que o tom adotado pelo discurso é o da paródia e do deboche, evitando, assim, o besteirol idiota, temos algo que faz rir, porém não desrespeita a inteligência do espectador. É, claro, uma bobagem, mas em ambos os lados da tela estão todos conscientes deste fato.

O principal problema do filme dirigido por Phil Claydon talvez seja a forçação de barra ao estender uma única piada por quase 90 minutos. Se no começo a premissa absurda entretém e envolve, assim que o cenário da ação se estabelece ele logo se torna repetitivo e, até mesmo, cansativo. Isso, somado a total incompetência artística do elenco e aos efeitos especiais canhestros, pode afastar os mais tradicionais, mas certamente serão estes os atrativos que garantirão a festa da turma de amigos que decidir aproveitar esta inofensiva tolice tal qual ela merece. E preparem-se: ao que tudo indica, não estamos muito longe de conferir os Matadores dos Lobisomens Gays!

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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