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Sinopse
Em De Férias Com Você, Poppy e Alex mantêm uma amizade improvável e uma tradição: viajar juntos todo verão. Após um erro que os afasta por dois anos, Poppy propõe uma última viagem para tentar reconstruir o vínculo. No percurso, sentimentos reprimidos vêm à tona e colocam a relação à prova. Romance.
Crítica
Desde Aconteceu Naquela Noite (1934), a comédia romântica aprendeu a conviver com certo grau de conveniência narrativa para que encontros, desencontros e reconciliações se organizem em torno do amor. De Férias com Você não apenas aceita essa herança como se apoia nela sem grandes disfarces. Aqui, o diretor Brett Haley, assim como em Corações Batendo Alto (2018), investe no carisma de seus personagens e em situações afetivas reconhecíveis, criando atmosfera leve e convidativa, mas raramente desafia a fórmula que escolhe seguir. O resultado é simpático, embora algumas decisões de roteiro, baseado em livro de Emily Henry, limitem a chance de o filme alcançar algo mais inventivo ou emocionalmente surpreendente – mas será que ele realmente pretende ir além disso?

Na trama, Alex (Tom Blyth) e Poppy (Emily Bader) se conhecem ainda jovens adultos durante viagem improvisada, fruto de um desses acordos modernos mediados por aplicativos. O choque inicial é imediato: ela, expansiva e curiosa; ele, introspectivo e desconfiado. Um contratempo na estrada aproxima os dois, abrindo espaço para conexão que cresce rápido demais para não levantar suspeitas de conveniência dramática. Ainda assim, o filme estabelece ali o pacto central da narrativa: uma amizade construída em deslocamentos constantes, reforçada pelo fato de Poppy ser jornalista de turismo e transformar o mundo em cenário recorrente de encontros que nunca cruzam a linha do romance declarado.
Como em Harry e Sally: Feitos Um para o Outro (1989), o tempo funciona como aliado e obstáculo. A história acompanha a passagem dos anos, do início dos 20 até a entrada nos 30, enquanto sentimentos mal resolvidos se acumulam. Há afeto, cumplicidade, intimidade suficiente para que todos ao redor os enxerguem como um casal, menos eles próprios. Curiosamente, Alex e Poppy conversam sobre tudo – ambições, medos, frustrações – exceto sobre o que realmente os une. O silêncio emocional, mais uma vez, serve menos à complexidade dos personagens e mais à necessidade de prolongar o inevitável desfecho.
Onde o filme encontra sua maior força é na química entre os protagonistas. Emily, vista em Atividade Paranormal: Ente Próximo (2021) e Minha Lady Jane (2024), demonstra segurança ao transitar entre a leveza quase caótica da juventude e uma maturidade que se impõe aos poucos. Sua Poppy é espirituosa, afetuosa e consciente das próprias contradições. Blyth, estrela de Billy the Kid (2022-), funciona como contraponto eficiente, oferecendo contenção e sensibilidade suficientes para que a dinâmica entre os dois nunca pareça artificial. Juntos, sustentam o filme mesmo quando o roteiro hesita.

No fim, De Férias com Você fala sobre liberdade para partir e o desejo íntimo de retornar, conflito especialmente ligado à jornada feminina de Poppy, que teme abrir mão de uma autonomia rara em troca de vínculo afetivo. É ideia bonita e honesta, conduzida com delicadeza, mas que acaba cedendo à necessidade de um clímax grandioso, daqueles que mobilizam multidões, aeroportos ou ruas congestionadas. Talvez não fosse preciso ir tão longe. Bastaria confiar mais no silêncio, no gesto contido e na intimidade construída ao longo do caminho para que o filme alcançasse algo mais sutil – e mais memorável.
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