Em junho deste ano, durante a cobertura da participação brasileira no Festival Internacional de Cinema de Xangai, o Papo de Cinema acompanhou de perto as ações da comitiva do Ano Cultural Brasil-China, iniciativa voltada ao fortalecimento das relações entre os dois países por meio do audiovisual. Entre as agendas da missão esteve a Plataforma Brasil de Audiovisual, dedicada à promoção de negócios, coproduções e à ampliação da presença do cinema brasileiro no mercado asiático.
Para falar sobre o assunto, conversamos com Paulo Feitosa, diretor da Quitanda Soluções Criativas e idealizador da Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai, que falou sobre os objetivos da iniciativa, o potencial da parceria entre Brasil e China e os caminhos para a internacionalização da produção audiovisual nacional. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA :: PAULO FEITOSA, IDEALIZADOR DA PLATAFORMA BRASIL DE AUDIOVISUAL
Ao fazer um balanço da missão brasileira, Paulo Feitosa explicou melhor a iniciativa: “o projeto foi orquestrado conceitualmente pelo Ministério da Cultura do Brasil dentro das celebrações do Ano Cultural Brasil-China. Existe um marco diplomático firmado entre o presidente Lula e o presidente Xi Jinping que celebra essa aproximação entre duas grandes potências do Sul Global. Mais do que um gesto simbólico, esse marco aponta para uma relação construída a médio e longo prazo, capaz de gerar negócios concretos entre os dois países”.
Segundo Feitosa, a internacionalização do cinema brasileiro passa necessariamente pela abertura de novos mercados e pela construção contínua de público, especialmente em um território estratégico como a China.

“Nós sabemos da necessidade de abrir mercado. E abrir mercado para o audiovisual significa construir audiência, e audiência se constrói com rotina. Quando olhamos para um país continental como a China, com seus canais de distribuição e sua enorme quantidade de salas de cinema, entendemos que acordos como esse são fundamentais para que o cinema brasileiro passe a fazer parte da rotina do espectador chinês”.
Na sequência, ele destacou que o Brasil já não precisa provar a qualidade de sua produção audiovisual, mas sim ampliar sua presença internacional de maneira estruturada. “Não precisamos mais convencer ninguém de que temos um cinema potente. Nossa indústria é produtiva, competitiva, nossos profissionais são altamente qualificados e o produto artístico brasileiro é reconhecido pela qualidade. O próximo passo é ampliar a audiência e fazer com que o cinema brasileiro ultrapasse as fronteiras do mercado nacional”.
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