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Mambembe, novo longa de Fabio Meira, já em cartaz em salas de várias capitais brasileiras. A obra – que passou por eventos como a Première Brasil do Festival do Rio e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – propõe uma homenagem ao circo itinerante do Norte e Nordeste do país, acompanhando encontros atravessados por arte, memória e deslocamento. 

No filme, três mulheres de um circo itinerante – Índia Morena, uma das maiores referências da arte circense no país e Patrimônio Vivo de Pernambuco, Madona Show, artista circense potiguar, e Jéssica (vivida por Dandara Ohana) – cruzam o caminho de um misterioso topógrafo (Murilo Grossi). A partir desse encontro, suas histórias se entrelaçam em uma narrativa que mistura ficção e realidade ao longo de 15 anos.

E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com Dandara e Madona. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

Mambembe
Mambembe

ENTREVISTA :: DANDARA OHANA E MADONA SHOW, ESTRELAS DE MAMBEMBE

Ao comentar a construção de Jéssica na trama, Dandara afirmou que a personagem acabou surgindo muito mais da intuição. “É totalmente a minha Jéssica. Eu cheguei no mesmo dia em que elas estavam filmando e eu não sou uma pessoa do circo. Acho que existe um lugar muito diferente entre eu, a Madona e a Índia”, refletiu.

A percepção da atriz dialoga diretamente com o relato de Madona, que revelou que o diretor conduziu o elenco de maneira bastante livre, apostando justamente nas experiências pessoais de cada uma para construir a narrativa. “Não teve texto, a gente não teve nada. Ele disse: ‘vá como você sente’. E pronto. Tem coisas que ele explicou para a gente, mas o resto foi tudo o que a gente sentia na pele, o que vivia no dia a dia, o que passa na luta e no preconceito”, contou.

Na sequência, Dandara aprofundou as diferenças entre sua trajetória e a das colegas ligadas diretamente ao universo circense. “Elas carregam um pouco da história delas no corpo. Eu empresto o meu corpo para uma história que não é minha, que não tem nada da minha história ali. Já elas vivem o contrário. E isso é curioso, porque muita gente mistura as coisas, acha que certas passagens são da vida real delas ou dos personagens”.

Mambembe
Mambembe

Dandara também afirmou que tentou se afastar das próprias características pessoais durante a composição da personagem, entendendo Jéssica como alguém muito diferente dela mesma. “Eu tentei me apagar mesmo nesse lugar de Dandara. Foi a Jéssica possível de fazer naquele pouco tempo. Acho que sou bem diferente dela. A Jéssica tem uma energia mais forte, igual à Madona e à Índia. São mulheres que estão ali com muita presença”.

Madona também aproveitou para ampliar a discussão e falar sobre as dificuldades enfrentadas atualmente por artistas circenses e profissionais de parques itinerantes no Brasil. “Hoje, para a gente chegar numa cidade, precisa de muita documentação, muito papel, muita coisa. E também não estão dando mais espaço para montar circo e parque. Não tem mais terreno. A gente acaba sem conseguir montar o circo completo, monta um pedaço, monta a frente e vai assim”, lamentou.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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