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Velocidade Máxima

19/03/2014    

 

Crítica

O recente Gravidade (2013) não foi o primeiro longa-metragem estrelado por Sandra Bullock muito bem realizado tecnicamente que, envolvendo uma situação inusitada, deixa qualquer espectador hipnotizado pela tensão. Já em 1994 a atriz, ao lado de Keanu Reeves, protagonizava um thriller de ação contagiante e exaustivo. E assim pode ser descrito tanto por exigir demais dos nossos nervos, quanto por nos fazer subir à bordo do ônibus que ambienta a maior parte da trama. Ao contrário dos personagens, no entanto, o que os espectadores sentem é pura empolgação. Velocidade Máxima é como um brinquedo radical de um parque de diversões, mas inteligente e que se leva a sério. Para tanto, conta com uma profundidade sempre bem-vinda, o que torna a experiência ainda mais divertida.

Quando um terrorista (Dennis Hopper) coloca uma bomba em um ônibus cheio de passageiros inocentes, que explodirá caso o veículo diminua sua velocidade para uma abaixo de 50 milhas por hora, o policial Jack Traven (Reeves) se vê obrigado a se juntar às vítimas para tentar salvar a todos, contando para isso com a ajuda de uma civil, Annie (Bullock). Presos em um jogo de gato e rato, ficam todos a mercê do antagonista e das adversidades que o trânsito de uma grande metrópole pode oferecer. Obviamente, se fosse em uma cidade brasileira, o final seria previsível...

Piadas à parte, o diretor Jan de Bont conduz com maestria toda e qualquer oportunidade de extrair tensão de uma cena, o que não é difícil quando o roteiro lhe proporciona tantas e inventivas sequências para explorar. O que era o mínimo que se poderia esperar do diretor de fotografia de filmes como Duro de Matar (1988), A Caçada ao Outubro Vermelho (1990) e Instinto Selvagem (1992). Aqui, de Bont envolve seu público em cenários e desafios intrincados: um elevador prestes a cair; uma espécie de carrinho de manutenção que tem de ser mantido abaixo de outro veículo na mesma velocidade; um transporte coletivo que não pode parar mesmo em curvas fechadas, no meio do engarrafamento, prestes a atropelar um carrinho de bebê; e, por fim, diante de um abismo aparentemente intransponível entre duas partes inacabadas de um viaduto. Fisicamente possível? Quem liga!? É certo que todos se seguraram firme na poltrona quando aquele ônibus levantou no ar!

Porém, o elemento humano é essencial quando se trata de tramas que tendem a fugir da normalidade, já que o espectador necessita se identificar com os personagens para poder, então, vivenciar seus medos. Aqui, Bullock e Reeves, dividindo uma boa química, ganham pelo carisma que esbanjam. Ela emprega em Annie uma sensibilidade tangível, enquanto ele não deixa que Jack se transforme num brucutu invencível. Pelo contrário, o agente vivido pelo ator é humano e sente raiva e decepção, como pode ser constatado no momento em que é informado sobre uma perda que sofreu fora do ônibus – demonstrando uma personalidade forte e determinação ao encarar, mesmo em desespero, todos os rostos que o perscrutam de seus acentos procurando por ajuda. Enquanto isso, Hopper vive o antagonista equilibrando bem a malícia, o brilhantismo e o orgulho ferido, e é incrível que um vilão ameace tanto os protagonistas sem quase nunca sair do lugar ou chegar perto dos mesmos.

Ainda que a sequência do ônibus seja aquela em que mais se concentra, Velocidade Máxima oferece ainda outras passagens que deixam os nervos de qualquer um em frangalhos ao subir dos créditos, sendo o clímax em um trem, absolutamente eletrizante. Improvável? Quase certo que sim. Mas e os melhores filmes não o são? Uma pena que este estilo cinematográfico continue sendo tão menosprezado e confundido com babaquices repletas de explosões infundadas e figuras vazias. O gênero precisa com urgência de mais exemplares como este e menos destes terríveis Carga Explosiva (2002) e afins...

Nota da crítica

5/5

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Yuri Correa é formado em Produção Audiovisual pela PUCRS, é crítico e comentarista de cinema - e eventualmente escritor, no blog “Classe de Cinema” (classedecinema.blogspot.com.br). Fascinado por História e consumidor voraz de literatura (incluindo HQ’s!), jornalismo, filmes, seriados e arte em geral.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL:  Speed

PAÍS DE ORIGEM: EUA

GÊNERO: Ação

DURAÇÃO: 116 min

ANO: 1994

DIREÇÃO: Jan de Bont

ROTEIRO: Graham Yost

EDIÇÃO: John Wright

FOTOGRAFIA: Andrzej Bartkowiak

MÚSICA: Mark Mancina

DIREÇÃO DE ARTE: John R. Jensen

FIGURINO: Ellen Mirojnick

PRODUÇÃO: Ian Bryce, Mark Gordon, Allison Lyon Segan

ESTÚDIO: Twentieth Century Fox Film Corporation

ELENCO: Keanu Reeves, Dennis Hopper, Sandra Bullock, Joe Morton, Jeff Daniels, Alan Ruck, Glenn Plummer, Richard Lineback, Beth Grant, Hawthorne James, Carlos Carrasco, David Kriegel, Natsuko Ohama, Daniel Villarreal

Sinopse

Em Los Angeles, o psicopata Howard Payne (Dennis Hopper) colocou uma bomba em um ônibus, que explodirá caso a velocidade do veículo seja inferior a 80 km/h. Assim Jack Traven (Keanu Reeves), um policial, entra no veículo com ele em movimento e explica a situação aos passageiros, mas um deles, que tinha cometido algum tipo de crime, sente-se perseguido e acaba provocando um tiro acidental, que fere o motorista. Isto força o policial a pedir que Annie Porter (Sandra Bullock), uma passageira, dirija sem deixar cair a velocidade ou todos morrerão, enquanto a polícia tenta encontrar um meio de desarmar a bomba.

Curiosidades

- Vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Som e Melhor Efeitos Sonoros, e indicado ainda como Melhor Edição;

- Vencedor do BAFTA de Melhor Edição e Melhor Som, e indicado ainda como Melhores Efeitos Especiais;

- Seguido por Velocidade Máxima 2 (1997);

- Orçado em US$ 30 milhões, faturou mais de US$ 350 milhões no mundo todo;

- Glenn Close, Meryl StreepSigourney Weaver, Halle Berry, Geena Davis, Michelle Pfeiffer, Emma Thompson, Meg Ryan, Julia Roberts, Demi Moore, Jodie Foster, Marisa Tomei, Sarah Jessica Parker, Winona Ryder e Cameron Diaz recusaram o papel que acabou ficando com Sandra Bullock;

- Keanu Reeves recusou a primeira versão do roteiro, e pediu para sair do projeto. Ele só retornou quando Joss Whedon reescreveu a maior parte das sequências, apesar de não ter levado crédito pelo trabalho;

- George Clooney, Johnny Depp, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Michael Keaton, Tom Cruise, Jeff Bridges e Tom Hanks recusaram o papel que acabou ficando com Keanu Reeves;

- O filme foi escrito com Jeff Bridges e Ellen DeGeneres como os protagonistas;

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  • "Velozes e Furiosos 8" (Universal)

    2ªSemana: 1,7 milhão de espectadores

    Público Total: 5,1 milhões de espectadores

  • "A Cabana" (Paris)

    3ªSemana: 621 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: 372 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

  • "Os Smurfs e a Vila Perdida" (Sony)

    3ªSemana: 241 mil espectadores

    Público Total: 1,1 milhão de espectadores

  • "A Bela e a Fera" (Disney)

    6ªSemana: 225 mil espectadores

    Público Total: 8 milhões de espectadores

  • "Velozes e Furiosos 8" (Universal)

    2ªSemana: US$ 38,6 milhões

    Bilheteria Total: US$ 163,5 milhões

  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: US$ 12,7 milhões

    Bilheteria Total: US$ 136,9 milhões

  • "A Bela e a Fera" (Disney)

    6ªSemana: US$ 9,9 milhões

    Bilheteria Total: US$ 471 milhões

  • "Born in China" (Disney)

    Estreia: US$ 5,1 milhões

    Bilheteria Total: US$ 24,7 milhões

  • "Despedida em Grande Estilo" (Warner)

    3ªSemana: US$ 5 milhões

    Bilheteria Total: US$ 31,7 milhões