17/01/2012
Ao longo da história, artistas utilizaram – e continuam utilizando – tempos turbulentos como intenso combustível de obras dispostas a ponderar, justamente, sobre eras de inconstância. Os Estados Unidos viviam em ebulição no decorrer dos anos 1950: crises pós-Segunda Guerra Mundial, a sombra do comunismo, o ocaso do famigerado McCarthysmo, a Guerra Fria, etc. Don Siegel, um dos célebres mentores de Clint Eastwood, lançou então em 1956 aficção científica Vampiros de Almas, um marco da cinematografia estadunidense engajada, e, sem dúvida, herdeira desta tradição de obras que falam a (ou de) seu tempo.

Em sucintos oitenta minutos, vê-se a paranoia crescente na pequena localidade de Santa Mira pelos olhos do médico, descobridor de um plano alienígena que consiste em substituir humanos por seres sem emoções, ocos internamente. Alegórico, Vampiros de Almas é espécime raro de cinema galgado na metáfora, no qual o subtexto emerge ao ponto de subjugar o que está num primeiro plano. É quase automática a associação entre a conjuntura político/social americana da época com este cenário de pânico instaurado diegeticamente. Incerteza e desconfiança generalizada surgem na tela aludindo à caça aos comunistas “comedores de criancinhas”. Seres sem vida e carentes de emoções, massificados, podem ser os que dão lugar à réplica extraterrestre, bem como aqueles que veem o país naufragar num cenário caótico e, mesmo assim, preferem alienar-se confortavelmente em suas posições neutras.

Don Siegel, artesão dos mais subestimados, cria um estado de histeria comunitária moldando o preciso roteiro de Daniel Mainwaring, Sam Peckinpah (ele mesmo) e Richard Collins, auxiliado pela belíssima fotografia em preto e branco de Ellsworth Fredericks (que, aliás, evidencia sobremaneira contrastes entre luz e sombra). Com estética de filme B, Vampiros de Almas não se presta ao superficial, já que por trás da fabulação e das artimanhas narrativas, residem desejos (não tão recônditos) de transmitir ao público a crítica travestida de ficção científica, gênero que em tempos áureos foi um dos principais veículos de metáforas acerca da sociedade que se prestava a refletir.
Marcelo Muller é caxiense, membro do Conselho Municipal de Cultura e coordenador da Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte da Secretaria da Cultura de Caxias do Sul. Já escreveu sobre cinema para a Revista Me! e o site gramadomagazine.com.br, além de ser um dos editores do The Tramps (litcine.blogspot.com.br), blog sobre cinema e cultura em que divide espaço com o irmão Rafa Müller e o amigo Conrado Heoli.
NOME ORIGINAL: Invasion of the Body Snatchers
PAÍS DE ORIGEM: EUA
ANO: 1956
DIREÇÃO: Don Siegel
ROTEIRO: Daniel Mainwaring
EDIÇÃO: Robert S. Eisen
FOTOGRAFIA: Ellsworth Fredericks
MÚSICA: Carmen Dragon
PRODUÇÃO: Walter Mirisch
ESTÚDIO: Allied Artists Pictures, Walter Wanger Productions
ELENCO: Kevin McCarthy, Dana Wynter, Larry Gates, King Donovan, Carolyn Jones, Jean Willes, Ralph Dumke, Virginia Christine, Tom Fadden, Kenneth Patterson, Guy Way, Eileen Stevens, Beatrice Maude, Jean Andren, Bobby Clark, Everett Glass, Dabbs Greer
Médico de pequena cidade descobre plano alienígena que quer substituir humanos por seres sem emoções.
- Orçamento estimando em US$ 447 mil.
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3ª Semana: 955.557
Público Total: 6.921.371
Estreia: 242.351
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4ª Semana: 66.382
Público Total: 1.327.695
Estreia: 125.351
Público Total: 125.351
2ª Semana: 43.103
Público Total: 198.446
“Os Vingadores” (Buena Vista)
Estreia: US$ 207,438,708
Bilheteria Total: US$ 207,438,708
“Sombras da Noite” (Warner)
Estreia: US$ 29,685,274
Bilheteria Total: US$ 29,685,274
“Think Like a Man” (Screen Gems)
4ª Semana: US$ 5,816,108
Bilheteria Total: US$ 81,432,840
“Jogos Vorazes” (Lionsgate)
8ª Semana: US$ 4,505,362
Bilheteria Total: US$ 387,007,048
“Um Homem de Sorte” (Warner)
4ª Semana: US$ 4,107,492
Bilheteria Total: US$ 53,788,233
24/04/2012
23/04/2012
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27/04/2012
6/05/2012
19/04/2012
25/04/2012
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