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Sim Senhor

28/12/2011    

 

Crítica

Jim Carrey já foi um dos maiores astros do cinema americano. Ele conseguiu ir além das comédias abobadas do início da carreira, chegando até a se consagrar como um ator de grande potencial dramático. Só que parece ter desistido, cansado de tentar ser original. E o melhor exemplo disso é Sim, Senhor, uma produção que garante algumas boas risadas, mas não oferece nada além daquilo que já conferimos inúmeras vezes nos seus trabalhos anteriores. Até o argumento básico parece ser reciclado. E, no meio de tanto clichê, só há dois caminhos possíveis: a decepção eminente, ou, como disse a ministra, ‘relaxar e gozar’!

Pois bem, isso foi exatamente o que fiz. Às vezes simplesmente esquecemos que certos filmes são nada mais do que apenas isso: filmes! Longas de duas horas com um único objetivo: entreter e, claro, vender. Estas obras são, acima de tudo, produtos comerciais, que não se aproximam – e nem querem, obviamente – de nada levemente artístico ou elevado. É consumo, dinheiro girando, pessoas trabalhando, e uma indústria inteira continuando em atividade. Se, além disso, ainda conseguir garantir alguma diversão e passar uma mensagem, por mais óbvia que esta seja já terá sido o máximo!

A premissa de Sim, Senhor é muito semelhante a de um sucesso antigo de CarreyO Mentiroso (1997): homem é obrigado a agir seguidamente de um modo contrário ao seu instinto natural, e isso obviamente irá provocar confusões e algumas vantagens, levando-o a encarar a vida sob outra ótica. Antes, era um advogado que precisava passar 24h dizendo nada além da verdade. Desta vez, no entanto, é a vez de um homem amargurado, que recém passou por uma separação difícil e que trabalha num banco como gerente de crédito. Após ir a um seminário de auto-ajuda, ele passa a acreditar que, caso não seja positivo diante todas as dúvidas do cotidiano, o universo irá amaldiçoá-lo por isso. Sendo assim, passa dizer ‘sim’ a tudo que lhe é proposto. E, entre outras roubadas, encontra um novo amor, é promovido no emprego e redescobre o valor dos amigos e da própria existência. Simples, não? Até, claro, que perceba que nem tudo que é usado em exagero pode provocar bons resultados.

O final do ano passado foi complicado para os grandes nomes de Hollywood. Tom Cruise (Operação Valquíria), Will Smith (Sete Vidas) e Adam Sandler (Um Faz de Conta que Acontece), todos acostumados a grandes bilheterias, viram seus novos filmes renderem bem menos do que o esperado. Com Carrey não foi diferente. Salve-se os mercados internacionais, que somados ao quadro final garantiram um bom desempenho. Mas já é um sinal de que após Número 23 (2007) e, principalmente, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), o público do até então comediante está preparado para vê-lo ir adiante e não voltar ao que todos nós já sabemos sabe fazer sem nenhum esforço. Sim, Senhor não é ruim. É previsível, tolo, engraçadinho, clichê, mas garante boa descontração e algumas gargalhadas. Só que está muito aquém do talento reconhecido do seu protagonista.

Nota da crítica

3/5

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Robledo Milani é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: Yes Man

PAÍS DE ORIGEM: EUA, Austrália

ANO: 2008

DIREÇÃO: Peyton Reed

ROTEIRO: Nicholas Stoller, Jarrad Paul, Andrew Mogel

EDIÇÃO: Craig Alpert

FOTOGRAFIA: Robert D. Yeoman

MÚSICA: Mark Everett, Lyle Workman

DIREÇÃO DE ARTE: Eric Sundahl

FIGURINO: Mark Bridges

PRODUÇÃO: Bruce Berman, Tiffany Daniel, Marty P. Ewing, Linda Fields, Katterli Frauen felder, Dana Goldberg, David Heyman, Danny Wallace, Richard D. Zanuck

ESTÚDIO: Warner Bros. Pictures, Village Roadshow Pictures, Heyday Films

ELENCO: Jim Carrey, Zooey Deschanel, Bradley Cooper, John Michael Higgins, Rhys Darby, Danny Masterson, Fionnula Flanagan, Terence Stamp, Sasha Alexander, Molly Sims, Brent Briscoe, Rocky Carroll, John Cothran Jr., Spencer Garrett, Sean O'Bryan, Kai Lennox, Cecelia Antoinette, Patrick Labyorteaux, Jamie Denbo, Shelby Zemanek, Alfred De Contreras, Peter Giles, Rebecca Corry, Whit Anderson, Pride Grinn, Kerry Hoyt, Anna Khaja, Maile Flanagan, Roni Meron, Heidi Herschbach, Graham Shiels, Brandon Walter, Emily Chen, Ashley Martinez, Kenny Searle, John H. Song, Lauren Kim, Mike Gomez, E.J. Callahan, Kelly Harris

Sinopse

Após o convite de um amigo, Carl Allen (Jim Carrey) decide ir em um culto de auto-ajuda, que tem por base dizer sim a qualquer coisa que lhe aconteça ou ofereçam. Ao seguir este preceito a vida de Carl começa a mudar, fazendo com que seja promovido e conheça Allison (Zooey Deschanel), por quem se apaixona. Porém ao tentar aproveitar todas as oportunidades que lhe surgem Carl começa a notar que tudo que é em excesso pode também cansar.

Curiosidades

- Sim Senhor é baseado em livro de Danny Wallace, um jornalista e produtor britânico, que durante seis meses respondeu sim a toda e qualquer questão ou proposta que lhe foi feita, anotando os resultados.

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