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Se Beber Não Case!

27/12/2011    

 

Crítica

Volta e meia o próprio cinema hollywoodiano, tão calculado e preciso, se surpreende. E um dos sucessos mais inesperados deste ano é Se Beber, Não Case, uma comédia que, mesmo sem astros no elenco ou uma trama das mais originais, conseguiu conquistar crítica e, principalmente, público. Apesar do orçamento modesto – US$ 35 milhões – faturou mais do que 12 vezes este valor nas bilheterias de todo o mundo! Isso sem contar o fato de ter recebido elogios entusiasmados em importantes veículos dos Estados Unidos, como nas revistas Rolling Stone e Newsday e nos jornais New York Post, Washington Post, San Francisco Chronicle e Los Angeles Times. Impressionante, não? Pois isso não é nada se compararmos à própria experiência do espectador ao ver o filme e concluir que este é um dos longas mais engraçados do ano!

Pra realmente aproveitar Se Beber, Não Case, a primeira coisa que o cinéfilo brasileiro deve fazer é esquecer o estúpido título nacional, que não faz o menor sentido. Vamos para o original, The Hangover, ou A Ressaca, que é auto-explicativo. Na história, quatro amigos vão à Las Vegas para celebrar a despedida de solteiro de um deles. Ao chegarem, se instalam num dos melhores hotéis, e brindam o momento feliz em que se encontram. Corta para o dia seguinte, com eles acordando num quarto completamente revirado. Um está pelado, outro aparece sem um dente, há um tigre (de verdade!) no banheiro, uma galinha correndo por todos os lados e um bebê trancado no armário. E, pra completar, o noivo sumiu. Obviamente, nenhum dos três restantes tem a menor ideia do que aconteceu e como chegaram a ficar naquele estado.

O melhor, e isso fica bastante claro desde o início, é que a plateia está tão perdida quanto os protagonistas. Se eles não sabem o que aconteceu, muito menos nós, no lado de cá da tela grande. E assim partimos todos juntos, nos indagando o que eles fizeram na noite anterior e por que surpresas continuam se sucedendo, como descobrir que o carro deles foi trocado por uma viatura policial, encontrar um japonês apenas de cuecas no porta-malas, se perguntar como um dos colchões foi parar no alto de uma estátua e ainda ter que resolver pendências com o próprio Mike Tyson em pessoa!

Outro grande acerto foi o grupo principal de atores que, de tão diferentes, não poderiam formar melhor combinação. Bradley Cooper é uma estrela em ascensão, e depois de aparecer como “o melhor amigo” em filmes como Penetras Bons de Bico (2005), Armações do Amor (2006) e Sim Senhor (2008) e de começar a chamar atenção em Ele Não Está Tão A Fim de Você (2009), agora teve sua consagração. Além de bonito e atraente, é bom ator tanto no drama quanto na comédia, se firmando como galã do momento. E seus próximos projetos, ao lado das estrelas Renée Zellweger (Case 39), Sandra Bullock (All About Steve) e Julia Roberts (Valentine’s Day), além da adaptação para o cinema da série de TV Esquadrão Classe A, já indicam que o moço está na direção certa. Ed Helms (Delírios de Consumo de Becky Bloom) e Justin Bartha (A Lenda do Tesouro Perdido) oferecem o apoio necessário, assim como a sumida Heather Graham (Boogie Nights, Austin Powers 2), que continua bela e engraçada na medida certa. Mas revelação mesmo é Zach Galifianakis (Jogo de Amor em Las Vegas), como o cunhado gordo e barbudo sem noção que sempre tem as melhores tiradas, roubando toda e cada cena em que aparece. Verdadeiramente hilário, é praticamente impossível controlar o riso diante o olhar perdido dele e das soluções que apresenta quando precisam lidar com as confusões que vão se acumulando no caminho deles.

Dirigido por Todd Phillips, o mesmo de Starsky & Hutch e Dias Incríveis, Se Beber, Não Case é uma típica comédia masculina, feita por e para homens, mas que possui um humor universal que vai além do círculo ‘amizade fraternal’. É tanta coisa acontecendo aparentemente sem sentido, mas que felizmente acaba se conectando no final, que é impossível não se imaginar vivendo a mesma situação e passando por apuros similares. É uma fórmula simples e até clichê – o adolescente Cara, Cadê Meu Carro? (2000), com Ashton Kutcher e Seann William Scott, tem exatamente a mesma estrutura, porém com um resultado bastante aquém -  mas que simplesmente funciona. Seja pelos diálogos inspirados, pelas atuações convincentes ou por algo inexplicável, este é um filme que merece todo o alarde e impacto provocado. Diversão do início ao fim, e há casos em que nada pode ser melhor do que isso!

Nota da crítica

4.5/5

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Robledo Milani é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: The Hangover

PAÍS DE ORIGEM: EUA, Alemanha

ANO: 2009

DIREÇÃO: Jon Lucas, Scott Moore

ROTEIRO: Jon Lucas, Scott Moore

EDIÇÃO: Debra Neil-Fisher

FOTOGRAFIA: Lawrence Sher

MÚSICA: Christophe Beck

DIREÇÃO DE ARTE: Andrew Max Cahn, A. Todd Holland

FIGURINO: Louise Mingenbach

PRODUÇÃO: Chris Bender, Scott Budnick, William Fay, Daniel Goldberg, Jon Jashni, Todd Phillips, David Siegel, J.C. Spink, Thomas Tull, Jeffrey Wetzel

ESTÚDIO: Warner Bros. Pictures, Legendary Pictures, Green Hat Films

SITE OFICIAL: hangovermovie.warnerbros.com

ELENCO: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham, Sasha Barrese, Jeffrey Tambor, Ken Jeong, Rachael Harris, Mike Tyson, Mike Epps, Jernard Burks, Rob Riggle, Cleo King, Bryan Callen, Matt Walsh, Ian Anthony Dale, Michael Li, Sondra Currie, Gillian Vigman, Nathalie Fay

Sinopse

Doug Billings (Justin Bartha) está prestes a se casar. Stu Price (Ed Helms), um dentista que planeja pedir a namorada em casamento, Phil Wenneck (Bradley Cooper), um professor colegial entediado com o matrimônio, e Alan Garner (Zach Galifianakis), seu futuro cunhado, são seus melhores amigos. O trio organiza uma festa de despedida de solteiro para Doug, levando-o para Las Vegas. Lá eles alugam uma suíte e têm uma noite de grande badalação. Na manhã seguinte os três acordam sem ter a menor idéia do que aconteceu na noite anterior. Eles sabem apenas que Stu perdeu um dente, há um tigre no banheiro, um bebê no closet e Doug simplesmente desapareceu. Para descobrir o que ocorreu, eles tentam juntar as memórias e reconstituir os eventos do dia anterior.

Curiosidades

- Filme com orçamento de US$ 35 milhões e faturamento de US$ 467 milhões no mundo todo;

- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme - Comédia ou Musical!

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