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O Corvo

14/05/2012    

 

Crítica

A primeira referência que a geração atual terá ao ouvir falar de O Corvo será o longa de ação sobrenatural estrelado por Brandon Lee em 1994 e que até hoje já ganhou 3 sequências (1996, 2000 e 2005). No entanto, não poderiam estar mais longes do tema aqui em questão. Isso porque esse corvo de agora é muito mais antigo, e diz respeito ao autor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), um dos mestres do terror e suspense. Suas histórias tinham sempre um quê de fantástico, e um destes populares poemas se chama, justamente, O Corvo. Mas o filme dirigido por James McTeigue, o mesmo de V de Vingança (2005) não é uma adaptação direta, e sim uma recriação da trama, que pega emprestado o tema e a ambientação e ousa ir além, colocando o próprio Allan Poe como personagem principal de uma história sobre um serial killer que se inspira nas criações literárias do escritor para cometer seus crimes.

Quando o filme começa, Edgar Allan Poe (John Cusack, pouco inspirado) há muito deixou de ser um literato de respeito e tenta ganhar a vida escrevendo resenhas críticas para qualquer periódico que se disponha a publicá-lo. Uma das portas para um recomeçar está no casamento com Emily (Alice Eve, que em breve poderá ser vista também em Homens de Preto 3), filha do poderoso Capitão Hamilton (Brendan Gleeson, de O Guarda, 2011). Mas além de não contar com a aprovação do futuro sogro, ele precisa também reconquistar sua honra diante a sociedade. No entanto, volta a ser centro das atenções quando os crimes acontecem, assassinatos cometidos de acordo com a ficção inventada por ele em livros há muito lançados. E na investigação comandada pelo jovem e ambicioso detetive Fields (Luke Evans, confortável com a maior exposição pós tantos papéis como coadjuvante), Poe é a chave para solucionar o mistério da identidade do assassino.

O interessante é que pouco se questiona sobre a possibilidade do próprio Allan Poe ser o responsável pelos assassinatos. Como essa possibilidade é logo descartada, o círculo de suspeitos vai rapidamente diminuindo, até que sobram poucos – e óbvios – candidatos. E esse é o maior problema do filme: apesar do início promissor e do desenvolvimento interessante, que deixa o espectador envolvido, promovendo algumas surpresas e uns bons sustos, sua conclusão é um total anticlímax, decepcionante e sem maiores emoções. Ainda mais que desde início somos alertados para uma evidência histórica, a de que Poe morreu com apenas 40 anos, ao ser encontrado aparentemente alucinando num banco de praça, após dias sem que ninguém soubesse seu paradeiro. A proposta, portanto, é revelar o que teria lhe acontecido para ocasionar um final tão trágico. E essa expectativa, de forma alguma, é atendida.

McTeigue, cineasta que já se envolveu em produções que apostavam bastante no visual, como a trilogia Matrix (1999-2003) ou Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones (2002), sempre como diretor assistente, em O Corvo, ao assumir plenamente o comando da realização, mostra mais uma vez uma preocupação maior com a imagem e menos com o conteúdo. Cusack também é um equívoco, repetindo o mesmo tipo histriônico e descontrolado visto em todos os seus papéis similares, como 1408 (2007), Identidade (2003) ou mesmo o catastrófico 2012 (2009). No fim sobra pouco que se salva, e esse material basicamente diz respeito à obra original do escritor, essa, sim, acima de qualquer suspeita. É possível que um conhecedor profundo destes textos tenha uma experiência muito mais positiva, pois irá compreender com mais clareza as referências e homenagens. Mas isso é fechar demais o círculo, ainda mais para um projeto que apostava numa maior abrangência de público.

Nota do Leitor

Nota da crítica

2.5/5

é crítico de cinema, vice-presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e membro da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Formado em Comunicação Social pela UFRGS, é também sócio-diretor da Phosphoros Novas Ideias, empresa de assessoria de imprensa e produção de conteúdo. Criador do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: The Raven

PAÍS DE ORIGEM: EUA, Hungria, Espanha,

ANO: 2012

DIREÇÃO: James McTeigue

ROTEIRO: Ben Livingston, Hannah Shakespeare

EDIÇÃO: Niven Howie

FOTOGRAFIA: Danny Ruhlmann

MÚSICA: Lucas Vidal

DIREÇÃO DE ARTE: Dragan Kaplarevic, Zsuzsa Kismarty-Lechner, Paul Laugier, Tibor Lázár, Frank Walsh

FIGURINO: Carlo Poggioli

PRODUÇÃO: Glen Basner, Marc D. Evans, Carolyn Harris, Ildiko Kemeny, Trevor Macy, Jesus Martinez Asencio, Aaron Ryder, Richard Sharkey, James D. Stern, Andjelija Vlaisavljevic

ESTÚDIO: Intrepid Pictures, FilmNation Entertainment, Galavis Film

SITE OFICIAL: www.theravenmovie.com

ELENCO: John Cusack, Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson, Kevin McNally, Oliver Jackson-Cohen, Jimmy Yuill, Sam Hazeldine, Pam Ferris, Brendan Coyle, Adrian Rawlins, Aidan Feore, Dave Legen, Michael Cronin, Michael Poole, Michael Shannon, Kristof Farkas, Luka Mijatovic, József Tálos, Matt Devere, Sergej Trifunovic, Milos Djuricic, Michael Kelly,   Bojan Peric, Ana Sofrenovic

Sinopse

Em seus últimos dias de vida, o poeta e romancista americano Edgar Allan Poe passa a perseguir um serial killer que se inspira em suas obras para cometer assassinatos.

Curiosidades

- Filme com orçamento de US$ 26 milhões;

- Ewan McGregor e Jeremy Renner eram as primeiras opções para serem os protagonistas, mas foram substituídos por John Cusack e Luke Evans, respectivamente.

2 comentários para “O Corvo”

  1. Rodrigoem 05/06/2012 às 1:33

    Grande filme, cheio de misterios e suspense, se voce curti Sherlock Holmes vale a pena conferir este filme.

  2. Lylian Priscillaem 05/06/2012 às 22:46

    Senti que faltou algo no filme…..

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  • Annabelle (Warner)

    2ª Semana: 609.500 espectadores

    Público Total: 1.651.400 espectadores

  • Festa no Céu” (Fox)

    Estreia: 240.000 espectadores

    Público Total: 343.100 espectadores

  • O Candidato Honesto“ (DTF/Paris)

    3ª Semana: 243.300 espectadores

    Público Total: 1.522.000 espectadores

  • O Juiz” (Warner)

    Estreia: 116.000 espectadores

    Público Total: 116.100 espectadores

  • Na Quebrada” (DTF/Paris)

    Estreia: 77.380 espectadores

    Público Total: 77.380 espectadores

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