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O Artista

30/01/2012    

Crítica

O estranhamento delicioso de assistir a algo reverente e alusivo ao cinema mudo das primeiras décadas do século passado traz automaticamente uma aura de encantamento a O Artista. Logo, porém, percebe-se o longa do diretor francês Michel Hazanavicius como obra de êxito não apenas por esta brilhante revisita formal aos primórdios cinemáticos, uma vez que possuiu méritos além da pura contemplação de algo trajado tal e qual um simpático senhor perdido no tempo.

A curva descendente da carreira artística de George Valetin, iniciada pelo ocaso do cinema mudo e nascimento do sonoro, é base de uma trama romântica, alimentada pela sinergia entre o drama do homem que sente o chão lhe faltar, e a potência da arte que, enquanto ser vivo e pulsante, não para de adquirir novas formas, causando deleite e êxtase. A derrocada do astro pode ser entendida como a própria arte cinematográfica que, vez ou outra, declina na negociação constante de sua sobrevivência. Já os coadjuvantes capitaneados por Peppy Miller, atriz de meteórico sucesso e estandarte do recém gestado cinema sonoro, são quão socorristas do ator vitimado pelo ostracismo, se recusam a deixar o cinema (bem como seus avatares) morrer à míngua. Há os precipícios, mas felizmente existem também os apanhadores nos campos de centeio.

Mas antes que se veja O Artista puramente como libelo filmado à moda antiga pela intenção de refletir sobre certa “pureza” fundamental perdida na contemporaneidade cinematográfica, ou mesmo o contrário, como alerta aos opositores das inovações – já que por sua teimosia em não acolher as novidades o protagonista sofre conseqüências nefastas – cabe perceber que o filme abraça amplitudes e paradoxos sem medo. O Artista utiliza ambas as extremidades para edificar um diálogo aberto, sem que qualquer delas afirme categoricamente ou instaure restritivos pontos finais. Sim, há um clamor explícito: para que o público volte a amar o cinema, independente da bitola, formato, granulação, ou qualquer outra variante.

Um filme preto e branco, mudo, em plena era do império 3D. Quanta ousadia de Hazanavicius, a de levar o cinema de volta às origens, quando astros e estrelas não emitiam sons, quando as falas, pancadas e rajadas de bala ecoavam apenas no caminho entre a visão e a imaginação. O atrevimento recompensa, pois O Artista não é apenas um OVNI em meio à produção atual, é uma carta de amor ao cinema, este ser intangível constituído de imaginário, fascínio, medo, paixões, desamores, ação, entre outros tantos elementos que se desprendem da tela para nos modificar. Pois se o cinema não nos modifica, bom cinema não é.

Nota da crítica

5/5

Nota do Leitor

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é caxiense, membro do Conselho Municipal de Cultura e coordenador da Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte da Secretaria da Cultura de Caxias do Sul. Já escreveu sobre cinema para a Revista Me! e o site gramadomagazine.com.br, além de ser um dos editores do The Tramps (litcine.blogspot.com.br), blog sobre cinema e cultura em que divide espaço com o irmão Rafa Müller e o amigo Conrado Heoli.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: The Artist

PAÍS DE ORIGEM: França, Bélgica

ANO: 2011

DIREÇÃO: Michel Hazanavicius

ROTEIRO: Michel Hazanavicius

EDIÇÃO: Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius

FOTOGRAFIA: Guillaume Schiffman

DIREÇÃO DE ARTE: Gregory S. Hooper

FIGURINO: Mark Bridges

PRODUÇÃO: Jeremy Burdek, Antoine de Cazotte, Daniel Delume, Nadia Khamlichi, Thomas Langmann, Richard Middleton, Emmanuel Montamat, Adrian Politowski, Gilles Waterkeyn

SITE OFICIAL: http://www.allianceholidaymovies.ca/the-artist.php

ESTÚDIO: La Petite Reine, La Classe Américaine, uFilm

ELENCO: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Malcolm McDowell, Basil Hoffman, Bill Fagerbakke, Nina Siemaszko, Stephen Mendillo, Dash Pomerantz, Beau Nelson

Sinopse

Famoso nos filmes mudos, um ator entra em depressão e mergulha no alcoolismo diante da ascensão dos filmes sonoros. No entanto, encorajado por sua amante – uma atriz que começa a fazer sucesso na nova indústria “falada”, o ator decide voltar a atuar, mas agora como dançarino.

Curiosidades

- Recebeu 6 indicações ao Globo de Ouro 2012, sendo o recordista do ano. Ganhou em 3 categorias: Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Ator em Comédia ou Musical (Jean Dujardin) e Melhor Trilha Sonora. Concorreu ainda a Melhor Diretor (Michael Hazanavicius), Melhor Atriz Coadjuvante (Bérénice Bejo) e a Melhor Roteiro;

- Jean Dujardin ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2011;

- Apesar de ser uma produção francesa, os principais atores coadjuvantes são americanos – John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller – enquanto que Bérénice Bejo é argentina. Essa interação só foi possível pois o filme não possui diálogos, sendo assim ninguém do elenco precisou se expressar em alguma única língua específica;

- Foi indicado ao SAG Awards – Screen Actors Guild, o prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood – como Melhor Elenco, Ator (Dujardin) e Atriz Coadjuvante (Bejo). Ganhou como Melhor Ator;

- Recebeu 10 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Direção, Ator (Dujardin), Atriz Coadjuvante (Bejo), Roteiro Original, Trilha Sonora, Montagem, Direção de Arte, Figurino e Fotografia;

- Ganhou o prêmio de Melhor Filme, Direção, Figurino e Trilha Sonora no Broadcast Film Critics Association (EUA).

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  • Os Vingadores” (Buena Vista)

    Estreia: US$ 207,438,708

    Bilheteria Total: US$  207,438,708

  • “Sombras da Noite” (Warner)

    Estreia: US$ 29,685,274

    Bilheteria Total: US$ 29,685,274

  • “Think Like a Man” (Screen Gems)

    4ª Semana: US$ 5,816,108

    Bilheteria Total: US$ 81,432,840

  • Jogos Vorazes” (Lionsgate)

    8ª Semana: US$ 4,505,362

    Bilheteria Total: US$ 387,007,048

  • Um Homem de Sorte” (Warner)

    4ª Semana: US$ 4,107,492

    Bilheteria Total: US$ 53,788,233

 

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