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Não tenha medo do escuro

17/10/2011    

 

Crítica

O grande problema de Não tenha medo do escuro é a assinatura de Guillermo Del Toro na produção. Se fosse um projeto só de Troy Nixey (o diretor, um completo desconhecido aqui em sua estreia cinematográfica) provavelmente a recepção teria sido mais calorosa. Como não é o caso e o nome do realizador dos ótimos e perturbadores A Espinha do Diabo (2001), O Labirinto do Fauno (2006) e os dois Hellboy (2004 e 2008) é o principal destaque do cartaz, quem o conhece já chega cheio de expectativas – somente para vê-las sendo frustradas uma a uma com soluções apressadas, interpretações exageradas e por um enredo que ao invés de brincar com o suspense o elimina já na primeira metade da trama, apostando mais no terror simples e explícito do que no poder da sugestão e, principalmente, da imaginação do público.

Apesar dos tropeços, entretanto, Não tenha medo do escuro se baseia num argumento muito interessante. Há uma mitologia por trás dos acontecimentos aqui vivenciados, e ela afirma que há séculos demônios das profundezas existem entre nós, apesar de condenados pela Igreja Católica às profundezas da escuridão. Estes seres monstruosos querem vingança, e o alimento principal que os fortalecem são dentes e ossos de crianças. E é claro que não tardará muito para que uma deles se torne a próxima vítima.

Guy Pearce (Amnésia) e Katie Holmes (Batman Begins) são o jovem casal que adquire uma antiga mansão – ele é arquiteto, ela decoradora – com o propósito de reformá-la e revendê-la em seguida. No começo do filme acompanhamos a chegada da pequena Sally (Bailee Madison, a filha de Jennifer Aniston em Esposa de Mentirinha, 2010), filha do primeiro casamento dele. A menina, além de antipatizar de imediato com a madrasta, rejeita também a nova casa, refugiando-se no amplo jardim ou no próprio quarto. Uma nova motivação surge com a descoberta de um porão escondido na casa, e apesar dos alertas do caseiro, a família decide explorar o cômodo até então ignorado. Mas o pior está reservado para a pequena, que passa a ouvir vozes vindas de uma lareira trancada. São chamados, convites de aproximação e pedidos de liberdade. Completamente iludida e dominada pela curiosidade, a garota atende às solicitações – e isso é somente o início de um pesadelo que a partir daquele momento não terá hora para acabar.

A mão de Del Toro fica evidente no tema assustador – trata-se de um remake de uma produção homônima de 1973, com o diferencial de que se no primeiro filme o alvo dos demônios era a esposa, a vítima em potencial agora é a criança, potencializando o perigo para toda a família – e no controle do orçamento. Dono de um visual envolvente e assustador, esse Não tenha medo do escuro é um filme relativamente barato, que custou cerca de US$ 25 milhões. Mesmo assim, não chegou a arrecadar nas bilheterias americanas valor suficiente para compensar o investimento, atingindo uma soma ligeiramente superior somente com o acréscimo dos resultados no exterior. E se no geral a experiência não compensa, ao menos há algo que se salva como exercício estético e pela comprovação de que a Sra. Tom Cruise não passa de um conjunto de caretas e beiços. Se para alguns isso é suficiente, tenho certeza que para muitos está longe de ser considerada uma interpretação minimamente razoável.

Nota da crítica

2/5

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Robledo Milani é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: Don’t Be Afraid of the Dark

PAÍS DE ORIGEM: EUA

ANO: 2010

DIREÇÃO: Troy Nixey

ROTEIRO: Guillermo Del Toro, Matthew Robbins, Nigel McKeand

EDIÇÃO: Jill Bilcock

FOTOGRAFIA: Oliver Stapleton

MÚSICA: Marco Beltrami, Buck Sanders

DIREÇÃO DE ARTE: Lucinda Thomson

FIGURINO: Wendy Chuck

PRODUÇÃO: William Horberg, Stephen Jones, Tom Williams

ESTÚDIO: Gran Via, Miramax Films, Tequila Gang

ELENCO: Bruce Gleeson, Edwina Ritchard, Garry Mcdonald, Bailee Madison, Carolyn Shakespeare-Allen, Katie Holmes, Guy Pearce, Jack Thompson

Sinopse

Sally Hurst chega em Rhod Island para morar com o pai, Alex (Guy Pearce) e a namorada dele, Kim (Katie Holmes). Sua nova casa é uma mansão do século 19, que está em reforma. Enquanto explora os vários cômodos da antiga propriedade, Sally descobre que criaturas habitavam o porão e foram libertadas, querendo agora levá-la para as profundezas da misteriosa residência.

Curiosidades

- O filme é inspirado na obra The Rats in the Walls, escrita por H.P. Lovecraft em 1924. Na história, o personagem principal e seus gatos ouvem barulhos de ratos vindos de dentro das paredes de uma antiga residência herdada, porém ele não sabe ao certo se são mesmo ratos.

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