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Minha Mãe é Uma Peça 2

31/12/2016    

 

Crítica

Paulo Gustavo é um dos maiores fenômenos surgidos no cenário cultural brasileiro nos últimos anos. Mesmo sem colocar o rosto na maior janela de audiência nacional – a Rede Globo – ele já conquistou milhares de fãs e admiradores seja na tv fechada (com seus programas do canal Multishow), no teatro e, é claro, também no cinema. Depois de uma pequena – porém marcante – participação como o cabeleireiro (aquele do “repica, repica”) de Lilia Cabral em Divã (2009), ele saltou direto para o estrelato de Minha Mãe é uma Peça (2013), inspirada em um dos seus espetáculos teatrais, e Vai Que Cola (2015), calcado no seu maior sucesso televisivo. É por isso que não chega a ser uma grande surpresa essa Minha Mãe é uma Peça 2, que chega às telas três anos depois do primeiro longa. O que chama atenção, no entanto, é que mesmo sem uma trama original para apresentar – em resumo, é apenas ‘mais do mesmo’ já visto antes – o talento do astro é tanto que ele não só prende a atenção do espectador, como segura o riso alto (seu maior objetivo, é claro) do início ao fim.

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Dona Hermínia, a protagonista de Minha Mãe é uma Peça, não apenas é interpretada pelo próprio Paulo Gustavo, como foi concebida tendo como inspiração a mãe real dele, de mesmo nome. E com uma figura materna como essa, dá pra entender de onde ele busca suas ideias. Ela é daquelas mãezonas desesperadas, preocupadas, gritonas, sempre interessadas em tudo que está acontecendo com os filhos e demais familiares (entre esses está até Carlos Alberto, o ex-marido, novamente vivido por Herson Capri). E é justamente nesses personagens que a trama do novo filme se centra. O filho caçula (Rodrigo Pandolfo), que antes havia assumido sua homossexualidade, agora se descobre bissexual. A filha (Mariana Xavier) deixa a preguiça de lado e decide investir na carreira de atriz, mudando-se, no processo, para São Paulo, onde irá trabalhar em uma companhia teatral. Uma irmã que mora nos Estados Unidos (Patricya Travassos) decide retornar para uma visita, enquanto que a tia idosa (Sueli Franco) dá seu último adeus.

Como se percebe, são todas preocupações do cotidiano de qualquer dona de casa e mãe de família. A saída dos filhos de casa, a partida dos parentes mais velhos, as relações familiares entre irmãos, tios e agregados. Segue incomodando, no entanto, a aparente assexualidade de Dona Hermínia, que apesar de já ter sido casada, parece não ter mais nenhum tipo de interesse nessa área – em uma sequência numa festa, as duas irmãs dela – além de Travassos, há ainda a interpretada por Alexandra Richter – disputam um mesmo possível namorado, enquanto que Hermínia faz que o assunto não é com ela. Nem mesmo um possível flerte com o ex-marido é levado adiante. Paulo Gustavo faz humor ácido dentro do universo que domina – seus familiares, homossexuais e artistas – mas está longe de demonstrar disposição para se arriscar por terrenos mais potencialmente polêmicos, como sexo e preconceito social (outro tópico tocado apenas de modo breve, nas passagens com o zelador do prédio).

Há também outros tropeços que chamam atenção, como a total ausência do filho mais velho (citado apenas pela presença de um neto – filho dele – no começo e pela inserção dele, quase que aleatória, já próximo ao final) e a inserção de uma nova rival como interesse amoroso do ex-marido (havia boatos de que Luana Piovani seria a atual namorada, assim como Ingrid Guimarães foi no longa anterior, mas, no entanto, estes não foram confirmados). Nada, no entanto, que se compare com o desinteresse que a situação profissional de Dona Hermínia – que no final do primeiro filme havia ganho seu próprio programa de televisão – desperta no enredo, usada apenas como elemento visual para uma ou outra piada pouco inspirada. Ou seja, como se percebe, havia material a ser explorado. Bastava apenas uma dedicação maior para não apenas citar, mas também se aprofundar.

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Mesmo assim, é curioso como Minha Mãe é uma Peça 2 se revela um produto melhor e mais bem acabado do que o episódio original. Isso se deve, em grande parte, a Paulo Gustavo, é claro, que assume uma maior naturalidade com o meio cinematográfico, circulando por paisagens e situações que vão além do mero mote teatral que guiava a trama anterior. Com o mesmo ritmo de diálogos rápidos que lhe é tão característico, ele consegue entregar ao seu público uma comédia eficiente, que conta em grande parte com o carisma do protagonista, mas sem desprezar seus coadjuvantes. É o resultado de um todo, que envolve e movimenta, mostrando que o gênero, tão mau tratado no Brasil, pode aspirar por um futuro mais auspicioso. Precisa, ainda, aparar melhor as arestas – o final é abrupto e quase desrespeitoso com o espectador, indicando uma intenção caça-níquel em torno de uma terceira parte – e mostrar que, mais do que personagens cativantes e um humor ligeiro, sabe-se também elaborar histórias com início, meio e fim. Um novo passo nessa direção já foi dado – que venham os próximos!

Nota da crítica

3/5

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Robledo Milani é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

minha-mae-e-uma-peca-papo-de-cinema-cartazNOME ORIGINAL: Minha Mãe é uma Peça 2

PAÍS DE ORIGEM: Brasil

ANO: 2016

DURAÇÃO: 89 min

GÊNERO: Comédia

DIREÇÃO: César Rodrigues

ROTEIRO: Fil Braz, Rafael Dragaud, Paulo Gustavo

FOTOGRAFIA: Joao Padua

MONTAGEM: Eduardo Hartung

MÚSICA: Alexandre Bento

FIGURINO: Ana Devillas

ESTÚDIO: Migdal Filmes

PRODUÇÃO: Iafa Britz

ELENCO: Paulo GustavoSamantha SchmutzHerson Capri, Rodrigo Pandolfo, Gustavo Novaes, Bruno Bebianno, Suely Franco, Fátima Bernardes, Malu Valle, Mariana Xavier, Alexandra Richter, Patricya Travassos

Sinopse

Hermínia continua com os problemas de sempre. Sua irmã Lúcia Helena acaba de chegar de Nova York para se instalar na sua casa e tumultuar sua vida, enquanto os filhos Marcelina e Juliano decidem se tornar mais independentes e mudam para São Paulo. Para piorar ainda mais, Marcelina decide ser atriz e Juliano assume ser bissexual.

Curiosidades

- Sequência de Minha Mãe é Uma Peça (2013);

- Somou mais de 2 milhões de espectadores na primeira semana em cartaz nos cinemas;

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  • "Velozes e Furiosos 8" (Universal)

    2ªSemana: 1,7 milhão de espectadores

    Público Total: 5,1 milhões de espectadores

  • "A Cabana" (Paris)

    3ªSemana: 621 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: 372 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

  • "Os Smurfs e a Vila Perdida" (Sony)

    3ªSemana: 241 mil espectadores

    Público Total: 1,1 milhão de espectadores

  • "A Bela e a Fera" (Disney)

    6ªSemana: 225 mil espectadores

    Público Total: 8 milhões de espectadores

  • "Velozes e Furiosos 8" (Universal)

    2ªSemana: US$ 38,6 milhões

    Bilheteria Total: US$ 163,5 milhões

  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: US$ 12,7 milhões

    Bilheteria Total: US$ 136,9 milhões

  • "A Bela e a Fera" (Disney)

    6ªSemana: US$ 9,9 milhões

    Bilheteria Total: US$ 471 milhões

  • "Born in China" (Disney)

    Estreia: US$ 5,1 milhões

    Bilheteria Total: US$ 24,7 milhões

  • "Despedida em Grande Estilo" (Warner)

    3ªSemana: US$ 5 milhões

    Bilheteria Total: US$ 31,7 milhões