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Margin Call – O Dia Antes do Fim

14/03/2012    

Crítica

O ano de 2008 foi fatídico para a economia mundial, pois nele eclodiu a famigerada crise econômica que tragou diversas empresas e, num efeito cascata, proliferou para além dos Estados Unidos, onde se originou. A também chamada “crise dos subprimes” germinou com a falência de algumas instituições americanas de crédito que concediam empréstimos hipotecários de alto risco, levando consigo outros tantos estabelecimentos financeiros, em movimento que repercutiu globalmente nas bolsas de valores. O tema surge vívido em Margin Call – O Dia Antes do Fim, estreia em longas-metragens do roteirista e diretor J.C. Chandor, admirável suspense sobre os detonadores da tal crise.

Evitando qualquer aproximação com visões maniqueístas do mercado financeiro, que pintam os integrantes destas complexas engrenagens como seres desalmados, ávidos por lucratividade, em abordagem que infelizmente encontra eco no senso comum, J.C. Chandor presta-se em Margin Call – O Dia Antes do Fim a uma observação mais angustiada da força humana empregada na movimentação da maquinaria capitalista. A primeira cena evidencia bem a instabilidade deste meio de rentabilidade proporcional aos riscos. Diversos profissionais adentram um escritório para executar demissõesem massa. Assemelham-se a um pelotão militarizado de execução. Feitas as devidas contextualizações, não sobram tantas diferenças entre uns e outros.

Algo precisa ser feito para salvar um gigante capitalista, nem que isto reflita catastroficamente na economia mundial. Vender títulos antes que compradores percebam neles valor ínfimo, como isto transmitindo vírus altamente contagioso, é apenas um procedimento visto com a praticidade característica do mercado. O grande vilão de Margin Call – O Dia Antes do Fim é o próprio sistema financeiro, um abominável disforme que utiliza as pessoas que o manipulam e que dele se utilizam, apenas como hospedeiros. Ninguém é integralmente bom ou mal. Do diretor que ordena ações desafiadoras de básicos preceitos éticos, ao jovem ambicioso que larga a profissão na engenharia por um lugar neste negócio de ganhos mais atraentes, todos são vítimas e algozes, pouco hesitantes ante a possibilidade de aumentar receitas e garantir seu futuro. Alguém poderia condená-los sem hipocrisia?

Suspense engenhoso, de elenco robusto (como é bom ver dois grandes atores como Kevin Spacey e Jeremy Irons, para citar apenas dois, envergando papeis de extrema relevância novamente no cinema), Margin Call – O Dia Antes do Fim é uma das gratas surpresas da temporada americana, prioritariamente indigesta e anódina, envolta pela arrecadação de filmes que circunscrevem tudo dentro de limites banais ou rasteiros. J.C. Chandor, responsável pelo roteiro e direção, mostra credenciais de quem tem o que dizer, e sabe como fazê-lo de maneira eficiente. O roteiro se prende ao essencial, possui ritmo e aposta num espectador mais antenado em ações e reações, do que propriamente ligado nas minúcias do epicentro capitalista. Ante a dramaturgia sólida e a diretiva inspirada, pode-se perfeitamente prescindir do entendimento de jargões financeiros, sem que haja qualquer perda significativa. No final das contas, ficcionalizar o estopim de uma crise de proporções globais só faz sentido se a resultante espelhar com esta agudeza a relação “homem X dinheiro”. Entre corruptíveis, idealistas e aparentes canalhas, todos são humanos, demasiadamente humanos.

Nota da crítica

4.5/5

Nota do Leitor

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é caxiense, membro do Conselho Municipal de Cultura e coordenador da Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte da Secretaria da Cultura de Caxias do Sul. Já escreveu sobre cinema para a Revista Me! e o site gramadomagazine.com.br, além de ser um dos editores do The Tramps (litcine.blogspot.com.br), blog sobre cinema e cultura em que divide espaço com o irmão Rafa Müller e o amigo Conrado Heoli.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: Margin Call

PAÍS DE ORIGEM: EUA

ANO: 2011

DIREÇÃO: J.C. Chandor

ROTEIRO: J.C. Chandor

EDIÇÃO: Pete Beaudreau

FOTOGRAFIA: Frank G. DeMarco

MÚSICA: Nathan Larson

FIGURINO: Caroline Duncan

PRODUÇÃO: Sean Akers, Robert Ogden Barnum, Michael Benaroya, Joshua Blum, Michael Corso, Kirk D’Amico, Neal Dodson, Cassian Elwes, Rose Ganguzza, Anna Gerb, Anthony Gudas, Daniel Hendler, Joe Jenckes, Lawrence M. Kopeikin, Susan Leber, Randy Manis, Corey Moosa, Zachary Quinto, Laura Rister

ESTÚDIO: Before The Door Pictures, Benaroya Pictures, Washington Square Films

SITE OFICIAL: http://www.margincallmovie.com/

ELENCO: Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Zachary Quinto, Penn Badgley, Simon Baker, Mary McDonnell, Demi Moore, Stanley Tucci, Aasif Mandvi, Ashley Williams, Susan Blackwell, Maria Dizzia, Jim Kirk, Jimmy Palumbo, Al Sapienza, Peter Y. Kim, Grace Gummer, Oberon K.A. Adjepong, Jason Denuszek, Matthew Walters

Sinopse

Peter Sullivan (Zachary Quinto), Seth Bregman (Penn Badgley) e Will Emerson (Paul Bettany) trabalham no setor de recursos humanos de uma empresa, sendo responsáveis pelos trâmites burocráticos da demissão dos funcionários. Um dos demitidos é Eric Dale (Stanley Tucci), que entrega a Peter um pen drive contendo um projeto no qual estava trabalhando. Peter conclui o projeto em casa e descobre que ele excede os níveis históricos de volatilidade com os quais seu empregador trabalha. Quando o projeto entra em funcionamento, logo as ações da empresa caem 25%. A situação faz com que os executivos que comandam a empresa se reúnam para encontrar uma solução o mais rapidamente possível.

Curiosidades

- Durante cerca de um ano Carla Gugino esteve escalada para interpretar Sarah Robertson, mas teve que deixar o filme de última hora devido a outros compromissos. Em seu lugar foi escalada Demi Moore;

- Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

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  • Os Vingadores” (Buena Vista)

    Estreia: US$ 207,438,708

    Bilheteria Total: US$  207,438,708

  • “Sombras da Noite” (Warner)

    Estreia: US$ 29,685,274

    Bilheteria Total: US$ 29,685,274

  • “Think Like a Man” (Screen Gems)

    4ª Semana: US$ 5,816,108

    Bilheteria Total: US$ 81,432,840

  • Jogos Vorazes” (Lionsgate)

    8ª Semana: US$ 4,505,362

    Bilheteria Total: US$ 387,007,048

  • Um Homem de Sorte” (Warner)

    4ª Semana: US$ 4,107,492

    Bilheteria Total: US$ 53,788,233

 

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