17/10/2011
Adaptado do musical homônimo, Jesus Cristo Superstar provavelmente é uma das mais polêmicas adaptações da paixão de Cristo para o cinema. Perto dela, o filme de Mel Gibson, por exemplo, é apenas uma vulgaridade que aposta na violência gráfica, só para o colocarmos em paralelo com uma das mais recentes versões desta milenar história. Homem ou Deus? Quem foi Jesus Cristo? Simplesmente um profeta que gozava de grande empatia, ou o próprio enviado dos céus para purificar nossos pecados com seu sangue? Dogmas religiosos e crenças à parte, não há como negar a força de Jesus como personagem, muito menos a dramaticidade da história que ele protagonizou. Versões que mexam, nem que seja um milímetro, no descrito pelas escrituras sagradas, ou que tomem certas liberdades, inevitavelmente gerarão polêmica.
Em Jesus Cristo Superstar, temos um Jesus peregrino, que canta seus derradeiros momentos. Aliás, todos cantam, o tempo todo. Para os que apreciam o gênero musical, é um deleite. Os cenários minimalistas, constituídos basicamente por andaimes, edificações em ruínas e pela paisagem desértica escolhida, conferem toque contemporâneo à história, efeito este amplificado pela direção de arte, que veste com malhas roxas e metralhadoras os soldados romanos, por exemplo. Imagino que o filme aos olhos dos mais puristas e religiosos seja uma verdadeira profanação.
Estas liberdades, a música, o bailado e a atmosfera meio hippie, são elementos que se deflagram rápido, e apresentam aqui o
substrato da construção cinematográfica. Mas, o que mais me agrada em Jesus Cristo Superstar é a constituição das figuras, a humanização dos personagens que ficaram para a história, goste-se ou não, como testemunhas de algo longe do homem, pertencente à esfera do divino. Jesus aparece claudicante, desorientado ante os conselhos que recebe das pessoas, em contraposição à missão recebida por Deus. Judas, a bem da verdade o protagonista da trama nesta variante, é apresentado como homem que entrou para os anais, maculado por um pecado que foi obrigado a cometer, com as mãos manchadas pelo crime de Deus: o sacrifício de seu filho pelo bem da salvação humana.
Jesus Cristo Superstar é, sim, controverso, não se propõe ao revisionismo histórico, ou mesmo a apresentar fatos novos acerca desta que é uma das mais conhecidas e difundidas histórias da humanidade. O filme de Norman Jewison suscitou polêmicas, principalmente pela roupagem diferente e disposição em narrar através do rock progressivo e da dança típica dos palcos da Broadway. Afora os méritos da montagem como encenação, e eventuais controvérsias que esta roupagem moderna da vida de Cristo traz consigo, Jesus Cristo Superstar é exitoso justamente por trazer os medos, as angústias e hesitações destes personagens reconhecidos através dos séculos, mais para o plano terreno.
Marcelo Muller é caxiense, membro do Conselho Municipal de Cultura e coordenador da Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte da Secretaria da Cultura de Caxias do Sul. Já escreveu sobre cinema para a Revista Me! e o site gramadomagazine.com.br, além de ser um dos editores do The Tramps (litcine.blogspot.com.br), blog sobre cinema e cultura em que divide espaço com o irmão Rafa Müller e o amigo Conrado Heoli.
NOME ORIGINAL: Jesus Christ Superstar
PAÍS DE ORIGEM: EUA
ANO: 1973
DIREÇÃO: Norman Jewison
ROTEIRO: Melvyn Bragg, Norman Jewison, Tim Rice
EDIÇÃO: Antony Gibbs
FOTOGRAFIA: Douglas Slocombe
MÚSICA: Andrew Lloyd Webber
DIREÇÃO DE ARTE: John Clark
FIGURINO: Yvonne Blake
PRODUÇÃO: Norman Jewison, Patrick J. Palmer, Robert Stigwood
ESTÚDIO: Universal Pictures
ELENCO: Ted Neeley, Carl Anderson, Yvonne Elliman, Barry Dennen, Bob Bingham, Larry Marshall, Josh Mostel, Kurt Yaghjian, Paul Thomas
Os últimos sete dias de Jesus Cristo (Ted Neeley) na visão atormentada de Judas Iscariotes (Carl Anderson), em um contexto contemporâneo: os soldados romanos possuem metralhadoras e Jesus é uma figura hippie.
- Jesus Cristo Superstar, a peça, estreou no Teatro Mark Hellinger em 12 de outubro de 1971 e funcionou por 711 performances;
- Nas cenas gravadas no deserto, os atores eram obrigados a se hidratar a cada 20 minutos. Para este processo funcionar, enormes blocos de gelo “multicoloridos” foram trazidos de Tel Aviv;
- Foi indicado ao Oscar de 1974 como Melhor Música;
- Ganhou prêmio de melhor fotografia (Douglas Slocombe) no British Society of Cinematographers de 1973.
15/03/2012
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7/05/2012
11/05/2012
15/05/2012
3ª Semana: 955.557
Público Total: 6.921.371
Estreia: 242.351
Público Total: 242.351
4ª Semana: 66.382
Público Total: 1.327.695
Estreia: 125.351
Público Total: 125.351
2ª Semana: 43.103
Público Total: 198.446
“Os Vingadores” (Buena Vista)
Estreia: US$ 207,438,708
Bilheteria Total: US$ 207,438,708
“Sombras da Noite” (Warner)
Estreia: US$ 29,685,274
Bilheteria Total: US$ 29,685,274
“Think Like a Man” (Screen Gems)
4ª Semana: US$ 5,816,108
Bilheteria Total: US$ 81,432,840
“Jogos Vorazes” (Lionsgate)
8ª Semana: US$ 4,505,362
Bilheteria Total: US$ 387,007,048
“Um Homem de Sorte” (Warner)
4ª Semana: US$ 4,107,492
Bilheteria Total: US$ 53,788,233
24/04/2012
23/04/2012
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18/05/2012
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27/04/2012
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19/04/2012
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6/05/2012
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