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Confiar

14/11/2011    

Crítica

David Schwimmer, o eterno Ross da série televisiva Friends, passeia por campo minado em sua nova incursão atrás das câmeras de cinema. Falar de sexo, relações virtuais e frustrações, é um tatear a cada nova cena por emoções e situações que, não raro, contribuem para desenvolvimentos planos e sentimentaloides. Em Confiar, Annie é uma menina como tantas outras, repleta de dúvidas e baixa autoestima, que se apaixona pela internet e estabelece relacionamento virtual paralelo ao que mantém com sua família e amigos. Ela não hesita muito em ir ao motel com o homem de quase 40 anos que na web se dizia um adolescente tão cheio de incertezas quanto ela.

Há a descoberta do caso pelos pais, a interferência do FBI e toda uma busca pelo pedófilo. Will, o pai, interpretado por Clive Owen (num registro que lembra noventa por cento das interpretações deste bom ator meio monocórdico) fica obcecado por encontrar o homem que molestou sua garotinha. O paradoxo se apresenta em sua profissão, utilitária da erotização adolescente para aumentar as vendas de seus clientes. Contradição rasa, pouco desenvolvida, que soa mais como reprimenda e chamamento moralista à reflexão do espectador sobre a sociedade em que vive. Intenção boa, por certo, mas delas o inferno está cheio. A desabalada carreira de Will em busca do bandido esbarra ainda na dificuldade da investigação, agravada pela própria filha, enamorada de seu suposto agressor. Estupro, sexo consentido, ou algo que uma adolescente de quatorze anos ainda não tem maturidade para avaliar?

Confiar é um tanto perdido em seu próprio escopo, indeciso entre o drama familiar e a expansão de sua causa como exemplo de algo maior e cotidianamente preocupante. Will parece mais atormentado por sua impotência do que propriamente pelo delito cometido, e Annie reluta enquanto amada, aceitando-se vítima do crime somente após tomar conhecimento de que não foi especial para o meliante. Confiar discute com pouca profundidade o nocivo protagonismo do sexo na sociedade, mas talvez seu maior pecado seja o de não assumir posicionamentos que fujam do senso comum. David Schwimmer resvala em diversos pontos de controvérsia, mas sua narrativa acaba sendo vítima de signos palatáveis. Tivesse o arrojo de abordar com menos pudor o embate entre as frustrações do pai e a natural inconsistência da personalidade adolescente ainda em formação da filha, e o diretor poderia ter realizado algo maior, preso de menos na obrigação de passar mensagens de alerta, e mais aberto às pessoas. Schwimmer é exatamente como Will: obcecado pelo tema, pelo que ocorre, e descuidado em demasia com os personagens que por ele são duramente afetados.

Nota da crítica

2/5

Nota do Leitor

10833
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é caxiense, membro do Conselho Municipal de Cultura e coordenador da Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte da Secretaria da Cultura de Caxias do Sul. Já escreveu sobre cinema para a Revista Me! e o site gramadomagazine.com.br, além de ser um dos editores do The Tramps (litcine.blogspot.com.br), blog sobre cinema e cultura em que divide espaço com o irmão Rafa Müller e o amigo Conrado Heoli.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: Trust

PAÍS DE ORIGEM: EUA

ANO: 2011

DIREÇÃO: David Schwimmer

ROTEIRO: Andy Bellin, Robert Festinger

EDIÇÃO: Douglas Crise

FOTOGRAFIA: Andrzej Sekula

MÚSICA: Nathan Larson

DIREÇÃO DE ARTE: Kerry Sanders

FIGURINO: Ellen Lutter

PRODUÇÃO: Trevor Short, John Thompson, Boaz Davidson, Danny Dimbort

ESTÚDIO: Millennium Films, Nu Image Films, Dark Harbor Stories

SITE OFICIAL: http://www.trustmovie2011.com/

ELENCO: Clive Owen, Catherine Keener, Liana Liberato, Jason Clarke, Viola Davis, Chris Henry Coffey, Spencer Curnutt, Aislinn DeButch, Noah Emmerich, Olivia Wickline, Zoe Levin, Zanny Laird, Yolanda Mendoza, Shenell Randall, Jordan Trovillion

Sinopse

Família passa por uma grande transformação depois que a filha de 14 anos de idade, Annie (Liana Liberato), conhece seu primeiro namorado pela internet. Após meses se comunicando apenas por chat ou telefone, Annie encontra-se com ele e descobre que o rapaz (Chris Henry Coffey) não era exatamente quem dizia ser. Apresentando-se com nome falso, tratava-se na verdade de um homem adulto e pedófilo que consegue fazer sexo com Annie. Abalados e descrentes, os pais da garota (Clive Owen e Catherine Keener) tentam de tudo para apoiar a filha. Ao mesmo tempo, o pai é levado a sair pelas ruas à procura daquele homem e fazer justiça com as próprias mãos.

Curiosidades

- Liana Liberato ganhou prêmio de Melhor Atriz no Festival de Chicago pelo papel de Annie.

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