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Assassinos por Natureza

20/07/2013    

 

Crítica

Pense em Bonnie e Clyde depois do ácido numa bad trip daquelas. Talvez você esteja perto do que Mickey e Mallory representam. Nas duas horas do filme/videoclipe de Oliver Stone, a dupla liquida a sangue frio mais de 50 pessoas enquanto deixa um rastro de sangue tão espesso quanto a gratuidade de seus atos. “Se eu não te matar, sobre o que vão falar?”, anuncia o impiedoso assassino. Para Stone, eis uma questão mais complexa do que retórica.

Os arquétipos do lixo branco norte-americano preenchem cada frame de Assassinos por Natureza numa suposta sátira à glorificação da violência. A partir de uma composição psicodélica, Stone costura um infinito de imagens saturadas, desconexas e gráficas numa narrativa visual brilhante, porém excessiva e até mesmo gratuita em conteúdo. Sem a superfície frenética, os cortes rápidos, as cores quentes e os ângulos de câmera improváveis, resta apenas um discurso banal e datado sobre a malévola mídia de massa contemporânea.

O principal equívoco em Assassinos por Natureza está na degeneração daquilo que ele próprio critica. A história original de Quentin Tarantino, um exame ácido à massificação das mídias e a exaltação do que há de pior na indústria cultural, perde seu sentido na tela por deixar de lado a contestação de crítica social e reiterar em imagens tudo o que seu discurso abomina. Demasiadamente manipulado por Stone, Richard Rutowski e David Veloz, Tarantino, inconformado, lançou posteriormente este que é seu primeiro roteiro para um longa-metragem como livro.

Apesar dos muitos pesares, Mickey e Mallory formam uma dupla carismática graças à composição assertiva de Woody Harrelson e Juliette Lewis, que parecem genuinamente empenhados em compartilhar o amor do casal e a pulsão dos mesmos em destruir todo o resto. Alguns bons coadjuvantes, como Robert Downey Jr., Tom Sizemore e Rodney Dangerfield garantem outras performances memoráveis. O último, que protagoniza uma espécie de sitcom grotesca como o pai incestuoso de Mallory, é genial no tom bizarro de seu personagem, e o próprio ator foi responsável por escrever seus diálogos.

Ainda que se ambiente no início da década de 1990, nossa cultura segue desnorteada na mesma direção calamitosa que Oliver Stone aponta em Assassinos por Natureza. No entanto, a linguagem histérica da qual ele faz uso em seu filme está mais pautada numa crise interior do que numa reflexão acurada do mundo em que vive. Enquanto cria outras obras manipuladoras como W. (2008) e As Torres Gêmeas (2006), o realizador continua contribuindo com a pilha de lixo que parece condenar.

Nota do Leitor

Nota da crítica

2/5

é crítico de cinema, membro da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Graduado em Publicidade e Propaganda, coordena a Unidade de Cinema e Vídeo de Caxias do Sul, programa a Sala de Cinema Ulysses Geremia e integra a Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: Natural Born Killers

PAÍS DE ORIGEM: EUA

GÊNERO: Drama, Thriller

DURAÇÃO: 118 min

ANO: 1994

DIREÇÃO: Oliver Stone

ROTEIRO: Quentin Tarantino, David Veloz, Richard Rutowski, Oliver Stone

EDIÇÃO: Brian Berdan, Hank Corwin

FOTOGRAFIA: Robert Richardson

MÚSICA: Brent Lewis

DIREÇÃO DE ARTE: Alan Tomkins, Margery Zweizig

FIGURINO: Richard Hornung

PRODUÇÃO: Risa Bramon Garcia, Jane Hamsher, Arnon Milchan, Thom Mount, Don Murphy, Richard Rutowski, Clayton Townsend, Rand Vossler

ESTÚDIO: Warner Bros., Regency Enterprises, Alcor Films

ELENCO: Woody Harrelson, Juliette Lewis, Tom Sizemore, Rodney Dangerfield, Everett Quinton, Jared Harris, Pruitt Taylor Vince, Edie McClurg, Russell Means, Lanny Flaherty, O-Lan Jones, Robert Downey Jr., Richard Lineback , Kirk Baltz, Ed White, Terrylene, Maria Pitillo, Josh Richman, Sean Stone, Melinda Renna, Corinna Everson, Dale Dye, Tommy Lee Jones

Sinopse

Mickey (Woody Harrelson) e Mallory (Juliette Lewis) são jovens apaixonados que adoram violência, sendo que ambos tiveram infância e adolescência perturbadoras. Juntos eles partem numa viagem onde matar é corriqueiro, atraindo a atenção da mídia, que os transforma em celebridades. Um repórter em especial, Wayne Gale (Robert Downey Jr.), espera ganhar muita audiência a partir do casal e fará de tudo para entrevistá-los. E o delegado Dwight McClusky (Tommy Lee Jones), incomodado com a repercussão dos crimes, precisa prendê-los para melhorar sua imagem.

Curiosidades

- Premiado como Melhor Atriz (Juliette Lewis) e com o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza;

- Filme com orçamento de US$ 34 milhões;

- Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Direção;

- Rodado nos estados americanos de Novo México, Arizona, Illinois e Indiana;

- Um filme normal possui de 600 a 700 cortes de edição. Este possui mais de 3 mil;

- Eleito o melhor filme dos anos 1990 pela revista Entertainment Weekly;

- A revista Premiere elegeu este como um dos “25 filmes mais perigosos de todos os tempos”;

- Steve Buscemi e Tim Roth foram convidados para participarem do elenco, mas o diretor e roteirista Quentin Tarantino os ameaçou de que nunca mais os chamaria para trabalhar com ele caso aceitassem este convite.

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  • Hércules” (Paramount)

    2ª Semana: 400.500 espectadores

    Público Total: 1.400.000 espectadores

  • Os Cavaleiros do Zodíaco” (Diamond)

    Estreia: 250.800 espectadores

    Público Total: 250.800 espectadores

  • Lucy” (Universal)

    3ª Semana: 199.300 espectadores

    Público Total: 1.290.000 espectadores

  • O Doador de Memórias” (Paris)

    Estreia: 200.000 espectadores

    Público Total: 200.000 espectadores

  • As Tartarugas Ninja” (Paramount)

    5ª Semana: 111.400 espectadores

    Público Total: 3.141.000 espectadores

     

  • “No Good Deed” (Screen Gems)

    Estreia: US$ 24.500.000,00

    Bilheteria Total: US$ 24.500.000,00

  • Winter: O Golfinho 2” (Warner)

    Estreia: US$ 16.550.000,00

    Bilheteria Total: US$ 16.550.000,00

  • Guardiões da Galáxia” (Buena Vista)

    7ª Semana: US$ 8.041.000,00

    Bilheteria Total: US$ 305.926.000,00

  • As Tartarugas Ninja” (Paramount)

    6ª Semana: US$ 4.800.000,00

    Bilheteria Total: US$ 181.041.000,00

  • “Let’s Be Cops” (Fox)

    5ª Semana: US$ 4.300.000,00

    Bilheteria Total: US$ 72.972.000,00

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