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As Aventuras de Tintim

17/01/2012    

 

Crítica

Uma das verdades sobre o ato de se fazer cinema é que bons livros podem gerar filmes tão bons quanto, às vezes melhores, muitas vezes piores. Isso, claro, porque a expectativa em torno destas adaptações sempre é muito alta. Mas e quando é o contrário? Livros ruins tem muito mais chances de se tornarem filmes melhores, pois piorar o que já é ruim é bastante difícil, e quando se menos espera é que se pode se surpreender. Dito isso, gostaria de deixar claro que de forma alguma considero os quadrinhos do belga Hergé com o personagem Tintim “ruins”... apenas estão longe de se enquadrarem no meu gosto. Poderia dizer que são um tanto ultrapassados, conservadores, antiquados. Nunca os havia lido, e só o fiz para me ambientar um pouco antes de assistir ao filme. E talvez tenha sido justamente por isso que conferir o trabalho de Steven Spielberg e Peter Jackson foi um prazer tão grande!

Desde o início dos anos 80 Spielberg desejava adaptar para a tela grande as histórias do repórter investigativo Tintim e seu cãozinho Milu. Na época, obviamente, a ideia era fazer um filme live action, com atores de verdade, mas o problema era encontrar um cachorro que atendesse todas as peripécias vistas nos gibis. Diante essa impossibilidade o projeto foi ficando de lado, até que O Senhor dos Anéis apareceu. Foi Spielberg que entregou a estatueta de Melhor Filme, em 2004, à Peter Jackson, na cerimônia do Oscar em que O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei se consagrou como grande vencedor. Os dois não se conheciam até então, mas ali nasceu uma amizade que hoje, quase dez anos depois, resultou em puro cinema. Após os efeitos impressionantes que transformaram o personagem Gollum em realidade na saga de Tolkien, Spielberg e Jackson partiram para uma animação baseada na captura de performance – no mesmo estilo dos anteriores O Expresso Polar (2004) e Os Fantasmas de Scrooge (2009), por exemplo. E assim temos hoje esse As Aventuras de Tintim, que dá início a uma nova série cinematográfica, apresentando a popular criação do quadrinhista Hergé aos antigos fãs e, principalmente, a uma nova geração, com a vantagem de se livrar do aspecto envelhecido dos desenhos mais convencionais numa roupagem muito mais moderna e dinâmica.

O filme se baseia principalmente no livro O Segredo do Licorne (ou Unicórnio, dependendo da tradução), e termina num momento de grande clímax, deixando tudo pronto para a sequência. Tintim é um jovem repórter que compra um navio em miniatura numa feira de antiguidades. Logo ele descobre se tratar de uma das três reproduções de um mítico galeão que afundou no meio do oceano, levando consigo um tesouro incalculável. Quem o comandava era Sir Francis Haddock, e o responsável pelo desastre foi o pirata Rackham. Mas o que Tintim desconhecia era que sua nova aquisição esconde uma pista para esse mistério, o que o coloca em contato direto com o atrapalhado Capitão Haddock e em confronto com o vilão Sakharine, os dois descendentes dos marinheiros que deram origem a toda essa história! Nessa busca alucinante eles enfrentarão tiroteios em alto-mar, naufrágios, caminhadas por desertos escaldantes, divas da ópera e até um batedor de carteiras cleptomaníaco, que será felizmente capturado pelos bravos inspetores de polícia Dupont e Dupond!

O elenco de vozes – e responsável também por toda a ação, pois os movimentos dos atores é que vemos na tela, uma vez que foram capturados digitalmente – é um destaque à parte. Spielberg trouxe Daniel Craig, com quem havia trabalhado em Munique (2005), enquanto que Jackson foi responsável pelos dois protagonistas: Andy Serkis (referência nesse estilo, tendo atuado em conjunto com essa tecnologia na trilogia O Senhor dos Anéis, no recente King Kong e em Planeta dos Macacos – A Origem) e Jamie Bell (visto também em King Kong). Este último é um Tintim bastante adequado, com agilidade e postura valente e confiante, bem de acordo com o que se espera do jovem herói.

As Aventuras de Tintim estreou no final de 2011 na Europa, onde o personagem é muito mais popular, para chegar na última semana do ano nos Estados Unidos e somente agora, quase um mês depois, no Brasil. A estratégia faz sentido, ainda mais quando analisamos os resultados de bilheteria: com um orçamento em torno de US$ 130 milhões, e o faturamento até o momento já está em quase três vezes esse valor em todo o mundo. Sucesso de bilheteria e elogiado pela crítica (ganhou o Globo de Ouro de Melhor Longa de Animação e é favorito ao Oscar), essa estreia do realizador de Tubarão (1975), Os Caçadores da Arca Perdida (1983), Jurassic Park (1993) e Guerra dos Mundos (2005) no mundo da animação foi com o pé direito. E que venham os próximos!

Nota da crítica

4/5

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Robledo Milani é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: The Adventures of Tintin: The Secret of Unicorn

PAÍS DE ORIGEM: EUA, Nova Zelândia

ANO: 2011

DIREÇÃO: Steven Spielberg

ROTEIRO: Steven Moffat, Edgar Wright, Joe Cornish

EDIÇÃO: Michael Kahn

MÚSICA: John Williams

DIREÇÃO DE ARTE: Andrew L. Jones, Jeff Wisniewski

PRODUÇÃO: Peter Jackson, Ken Kamins, Kathleen Kennedy, Jason D. McGatlin, Nick Rodwell, Adam Somner, Stephane Sperry, Steven Spielberg

SITE OFICIAL: http://www.tintin.com/

ESTÚDIO: Columbia Pictures, Paramount Pictures, Amblin Entertainment

ELENCO: Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg, Daniel Mays, Gad Elmaleh, Toby Jones, Joe Starr, Enn Reitel, Mackenzie Crook, Tony Curran, Sonje Fortag, Cary Elwes, Phillip Rhys, Ron Bottitta, Mark Ivanir, Nathan Meister, Sebastian Roche, Kim Stengel, Mohamed Ibrahim Elkest, Sana Etoile

Sinopse

Tintim (Jamie Bell) é um jovem repórter, que está sempre atrás de boa matéria. Um dia, ele vê à venda na rua o modelo de um galeão antigo e resolve comprá-lo. Logo dois outros interessados o abordam, querendo adquirir o objeto, mas Tintim não o vende. Ele leva o galeão à sua casa, onde o colocaem destaque. Sóque a entrada de um gato faz com que Milu, seu cachorro, o persiga dentro de casa e, por acidente, derrube o galeão. Ele fica danificado e um pequeno cilindro sai de seu interior, sem que Tintim perceba. Logo Tintim e Milu vão à biblioteca, onde tentam encontrar mais informações sobre o navio retratado no modelo. Ao retornar percebem que o galeão foi roubado. Tintim vai até a mansão recentemente comprada pelo doutor Sakharine (Daniel Craig), um dos interessados em comprar o modelo, mas nada descobre. Ao retornar ele encontra o cilindro e percebe que, dentro dele, há uma pista para um tesouro perdido. É o início de uma nova aventura, onde Tintim e Milu se juntam ao capitão Haddock (Andy Serkis) na disputa contra Sakharine para encontrar o tesouro.

Curiosidades

- Premiado com o Globo de Ouro de Melhor Longa de Animação;

- Steven Spielberg dirigiu e Peter Jackson produziu esse que pretende ser o primeiro de uma nova franquia cinematográfica. O segundo episódio deverá ser dirigido por Jackson e produzido por Spielberg.

Um comentário para “As Aventuras de Tintim”

  1. Israel Cefrinem 21/01/2012 às 22:17

    Assisti hoje ao filme. Conhecia a obra de Herge por causa de meu pai que era um fã do clássico.
    É uma obra que só poderia ser coordenada por Spielberg e sua capacidade de fazer filmes para a família toda (pois é até difícil lembrar um filme dele que tenha ocorrido uma cena para maiores de 18 anos).

    Gostei do filme, embora tenha sido obrigado a assisti-lo dublado (e em 3D) por causa de meus flhos. Tentarei alugar o DVD para poder assistir com as vozes originais. Acredito que alguns diálogos possam ter perdido o sentido na tradução.

    O filme lembra muito alguns momentos de Indiana Jones realmente, o que o torna cativante nesse sentido. E a parceria com Peter Jackson deverá render realmente uma continuação.

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    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

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    4ªSemana: 372 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

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    4ªSemana: US$ 12,7 milhões

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