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A Qualquer Custo

27/12/2016    

 

Crítica

A Qualquer Custo, de David Mackenzie, é atravessado por imagens de uma América desolada, decadente, quebrada no longo day after da crise econômica que se iniciou em 2008. Fincando claramente raízes no western – lembrando um pouco, no tom e nas paisagens, a obra-prima Onde os Fracos Não Têm Vez (2007) –, o filme se interessa não apenas por contar uma história dentro desse gênero, mas também por comentar criticamente as consequências sociais do que aconteceu nos Estados Unidos nos últimos anos. Aqui, uma boa comparação pode ser feita com O Homem da Máfia (2012), de Andrew Dominik, também claramente filiado a um gênero cinematográfico estabelecido, mas muito preocupado em passar uma mensagem política contundente – em alguns momentos, até se excedendo nesse sentido.

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A vantagem de A Qualquer Custo é que esses comentários sócio-políticos estão verdadeiramente intrincados na história criada pelo roteirista Taylor Sheridan, também autor de Sicario: Terra de Ninguém (2015), sendo fundamentais para seu desenrolar. A dupla de protagonistas, os irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster), roubam uma série de pequenos bancos, responsáveis pela hipoteca da casa de sua recém-falecida mãe, para, com esse dinheiro, pagar as dívidas da família com os próprios bancos e construir um patrimônio sólido. A crise econômica deixa de ser, portanto, mero pano de fundo ou meio de exibicionismo do diretor, para se tornar parte, de fato, da narrativa.

Se a carga política advinda daí dá certo estofo ao filme, é no encontro absurdamente eficiente entre thriller, western e drama que A Qualquer Custo revela suas maiores qualidades. No primeiro aspecto, há a construção cuidadosa de um heist movie, que alterna com precisão os tempos mortos, aqueles momentos em que quase nada parece acontecer (geralmente protagonizados pela dupla de policiais interpretada por Jeff Bridges e Gil Birmingham), com grandes sequências de ação, envolvendo uma incansável perseguição, conduzida por essa mesma dupla, aos irmãos Howard. Já quanto ao western, Mackenzie e Sheridan mergulham em cenários, figuras – novamente o xerife prestes a se aposentar de Bridges, que por sua posição no mundo remete, claro, a tantos equivalentes na história do cinema, mas principalmente ao personagem semelhante interpretado por Tommy Lee Jones em Onde os Fracos Não Têm Vez – e construção cênica típicas do gênero. Vem desse último departamento, aliás, aquela que talvez seja a grande cena de A Qualquer Custo: o duelo final entre o xerife e Toby Howard, que encerra o filme.

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Mas é mesmo como um poderoso drama familiar sobre amor aos seus em meio à absoluta desesperança que A Qualquer Custo gruda na memória. É o carinho meio bruto que não só Toby e Tanner, mas também Marcus (Bridges) e Alberto (Birmingham), nutrem entre si que dá força emocional ao filme, tornando duríssimos os momentos em que ocorrem inevitáveis perdas em ambos os lados. E é a dedicação filial a uma mãe já ausente, à memória dessa mãe, por quem um dos irmãos Howard matou o próprio pai, que faz as ações dos protagonistas plenamente compreensíveis, mesmo quando carregadas de violência.

Nota da crítica

4/5

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Wallace Andrioli é um historiador que fez do cinema seu maior prazer, estudando temas ligados à Sétima Arte na graduação, no mestrado e no doutorado. Brinca de escrever sobre filmes na internet desde 2003, mantendo seu atual blog, o Crônicas Cinéfilas, desde 2008. Reza, todos os dias, para seus dois deuses: Billy Wilder e Alfred Hitchcock.

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Ficha Técnica

a-qualquer-custo-papo-de-cinema-cartazNOME ORIGINAL: Hell or High Water

PAÍS DE ORIGEM: EUA

ANO: 2016

DURAÇÃO: 102 min

GÊNERO: Crime, Drama

DIREÇÃO: David Mackenzie

ROTEIRO: Taylor Sheridan

FOTOGRAFIA: Giles Nuttgens

MONTAGEM: Jake Roberts

MÚSICA: Nick Cave, Warren Ellis

FIGURINO: Malgosia Turzanska

ESTÚDIO: Film 44, OddLot Entertainment, Sidney Kimmel Entertainment

PRODUÇÃO: Peter Berg

ELENCO: Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges, Dale Dickey, William Sterchi, Buck Taylor, Kristin Berg, Gil Birmingham, Keit Meriweather, Katy Mixon, Jackmoe Buzzell, Amber Midthunder

Sinopse

Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se restabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.

Curiosidades

- Oscar 2017: indicado a Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Roteiro Original e Montagem;

- Globo de Ouro 2017: indicado a Melhor Filme em Drama, Ator Coadjuvante (Jeff Bridges) e Roteiro;

- Festival de Cannes 2016: selecionado para a mostra Um Certo Olhar;

- Screen Actors Guild Awards 2017: indicado a Melhor Ator Coadjuvante (Jeff Bridges);

- Independent Spirit Awards 2017: premiado como Melhor Ator Coadjuvante (Ben Foster) e indicado a Melhor Roteiro e Montagem;

- Critics Choice Awards 2017: indicado a Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Ator Coadjuvante (Ben Foster), Direção, Roteiro Original e Elenco;

- National Board of Review 2017: premiado como Melhor Ator Coadjuvante (Jeff Bridges) e apontado como um dos dez melhores filmes do ano;

- Filmado na cidade de Clovis, no estado do Novo México, EUA;

- Orçamento: US$ 12 milhões;

- Bilheteria mundial: US$ 33,5 milhões;

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  • "Velozes e Furiosos 8" (Universal)

    2ªSemana: 1,7 milhão de espectadores

    Público Total: 5,1 milhões de espectadores

  • "A Cabana" (Paris)

    3ªSemana: 621 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: 372 mil espectadores

    Público Total: 2,4 milhões de espectadores

  • "Os Smurfs e a Vila Perdida" (Sony)

    3ªSemana: 241 mil espectadores

    Público Total: 1,1 milhão de espectadores

  • "A Bela e a Fera" (Disney)

    6ªSemana: 225 mil espectadores

    Público Total: 8 milhões de espectadores

  • "Velozes e Furiosos 8" (Universal)

    2ªSemana: US$ 38,6 milhões

    Bilheteria Total: US$ 163,5 milhões

  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: US$ 12,7 milhões

    Bilheteria Total: US$ 136,9 milhões

  • "A Bela e a Fera" (Disney)

    6ªSemana: US$ 9,9 milhões

    Bilheteria Total: US$ 471 milhões

  • "Born in China" (Disney)

    Estreia: US$ 5,1 milhões

    Bilheteria Total: US$ 24,7 milhões

  • "Despedida em Grande Estilo" (Warner)

    3ªSemana: US$ 5 milhões

    Bilheteria Total: US$ 31,7 milhões