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Sinopse

A história da humanidade é contada por meio de diversos esquetes.

Crítica

Orson Welles começa a narrar a história de nossos antepassados enquanto Also Sprach Zarathustra, de Richard Strauss (música que marcou 2001: Uma Odisseia no Espaço, 1968), surge ao fundo. Em cena, vemos alguns macacos se levantarem, tornando-se homens, como diz nosso narrador. É então que, após erguer as mãos, como se tocassem o céu que cobre suas cabeças, os macacos inesperadamente começam a... se masturbar. Essa é a primeira cena de A História do Mundo: Parte 1, sétimo trabalho de Mel Brooks no cinema, momento que apresenta muito bem o que teremos ao longo do filme. Vemos o diretor brincar com nossa própria História, não tendo medo de apostar em piadas sujas em meio às várias sacadas que tem ao longo da narrativa, sendo bem-sucedido, assim apresentando um exemplar divertidíssimo em sua respeitável filmografia.

A História do Mundo: Parte 1 é uma antologia dividida em cinco partes, cada uma parodiando uma época importante de nossos passos por este mundo: Idade da Pedra, Antigo Testamento, Império Romano, Inquisição Espanhola e Revolução Francesa. Algumas são curtas, se aproximando de verdadeiros esquetes, enquanto outras são um pouco mais elaboradas, possuindo até mesmo tramas bem definidas. E, claro, todas têm a trupe de rostos conhecidos da filmografia do diretor, como Madeline Kahn, Dom DeLuise, Harvey Korman, Ron Carey e Cloris Leachman, além do próprio, que aparece em todos os episódios interpretando personagens diferentes.

Mesmo tratando de coisas distintas, todos os segmentos têm algo em comum, e este é o talento de Mel Brooks para divertir o público, a aposta no mais puro nonsense que cria belas piadas com seus personagens. As falas de duplo sentido da imperatriz romana Ninfo (interpretada por Kahn) são hilárias, assim como os diálogos que Brooks desenvolve para cenas como a da Última Ceia (que até conta com uma participação especial de John Hurt na pele de Jesus) e da pequena reunião dos revolucionários franceses. E se segmentos curtos como a Idade da Pedra e o Antigo Testamento são eficientes, trazendo uma gag para cada elemento tratado (o surgimento da arte e do crítico é ótimo), punchlines como “É bom ser o rei” e “Dez mandamentos para todos obedecerem” representam alguns dos grandes momentos do filme.

Tudo isso é conduzido com uma energia admirável por Mel Brooks, que caçoa sem dó nem piedade das épocas mostradas. A Inquisição Espanhola, por exemplo, se resume a um grande número musical cuja produção não faz feio diante daquelas da Broadway, divertindo por conta do diretor apontar o absurdo por trás das torturas e outras coisas horríveis do período. Assim, figuras como Tomás de Torquemada (interpretado pelo próprio Brooks) viram verdadeiras caricaturas. O mesmo ocorre com o Império Romano e a Revolução Francesa (os episódios mais longos) e o modo como trata os poderosos e o descaso com os pobres. Contar com a voz imponente de Orson Welles para narrar o filme é uma ótima sacada, já que causa um contraste divertido entre o dito e a loucura que está acontecendo.

Ao final de A História do Mundo: Parte 1, Mel Brooks insere uma pequena prévia do que poderíamos ver numa segunda parte, que inclui desde Adolf Hitler patinando no gelo até uma versão de Star Wars com judeus. Considerando o trabalho feito aqui, é uma pena que o diretor não tenha levado adiante a possível continuação, já que possibilidades não faltavam para ele nos fazer rir mais uma vez com sua visão divertida de nossa História.

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é crítico de cinema, formado em Produção Audiovisual na ULBRA, membro da SBBC (Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos) e editor do blog Brazilian Movie Guy (www.brazilianmovieguy.blogspot.com.br). Cinema, livros, quadrinhos e séries tomam boa parte da sua rotina.
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