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5+1 :: Bruce Willis

18/03/2014    

 

Não é uma informação confidencial, mas todos estranham quando descobrem que Bruce Willis é alemão, e não um legítimo norte-americano. É claro que sua nacionalidade não é de extrema relevância para determinar seu carisma e personalidade ou sua capacidade de atuação, que, inclusive, foi o que colocou fim à sua gagueira ao pisar em um palco pela primeira vez aos 17 anos, época em que Bruce se mudou  ara Nova York para tentar o estrelato. Após passar por empregos como bartender e segurança de uma usina nuclear (onde, inclusive, contraiu pneumonia e ficou um mês internado), o ator começou a ter chances em pontas de alguns filmes até estrelar o seriado A Gata e o Rato (1985 – 1989) e, neste meio tempo, conseguir o papel que lhe marcaria na história: John McClane, o herói “duro de matar”.

Desde então, além de estrelar cinco filmes da saga Duro de Matar, Bruce Willis participou tanto de blockbusters como Armageddon (1998), O Sexto Sentido (1999) e Os Mercenários (2010) quanto de filmes mais autorais, como Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), Os 12 Macacos (1995) e Moonrise Kingdom (2012). Para celebrar os 59 anos (a serem completos no dia 19 de março de 2014) deste que é um dos atores mais queridos (e bem pagos) de Hollywood, a equipe do Papo de Cinema elegeu seus cinco melhores filmes – e mais aquele que merece ser lembrado.

 

Duro de Matar (Die Hard, 1988)
Por Thomás Boeira

Duro de Matar é um filme de ação clássico. Trazendo um policial que precisa enfrentar o grupo de terroristas liderado por Hans Gruber (Alan Rickman, um vilão perfeito), que invade um prédio comercial e faz todos os funcionários de reféns, o filme de John McTiernan revolucionou o gênero e virou referência para produções subsequentes. Mas parte do sucesso do filme se deve a Bruce Willis e não é à toa que ele virou um grande astro logo depois. No papel de John McClane, Willis encarnou um herói de ação que não era apenas carismático, durão e sarcástico, mas também bastante vulnerável, o que consequentemente nos fazia temer por seu destino ao longo do filme, detalhe que diferenciou o personagem dos John Rambos que apareciam na época. Duro de Matar acabou virando uma franquia, e apesar de nenhum dos filmes ter o brilhantismo do original, quase todos se revelaram belas continuações que nos fizeram gostar ainda mais de seu protagonista. A exceção, é claro, fica por conta do desastroso quinto filme, lançado no ano passado.

 

Pulp Fiction – Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994)
Por Marcelo Müller

Em Pulp Fiction – Tempo de Violência, Bruce Willis interpreta Butch, um boxeador que se vê arrastado pela corrupção. Precisando de grana, a princípio ele topa fazer parte de um esquema escuso de manipulação de resultados para beneficiar determinadas pessoas. Sua parte é simples: apanhar mais do que bater e beijar a lona para alegria dos apostadores do adversário, entre eles seu contratante. A cena na qual ouve o plano ao som de Let’s Stay Together é uma das mais impactantes do filme, pois contrapõe a sujeira do diálogo com o romantismo da música. Mas nos 45 do segundo tempo, Butch muda de ideia, quem sabe levado por sua pesada consciência, pela pressão da própria moral, e derrota o oponente, para depois fugir em disparada do preço que terá de pagar. Não se brinca com mafiosos, ele logo saberá. Há a famosa sequência da katana (espada japonesa), na qual Butch toca o terror em seus perseguidores, mas o que define esse personagem são as suas escolhas. A priori locador de sua ética, ele assume as duras conseqüências de, a tempo, desfazer a barganha prejudicial à sua integridade.

 

O Quinto Elemento (The Fifth Element, 1997)
Por Dimas Tadeu

Ver Bruce Willis correndo, batendo em vilões, disparando armas e fazendo proezas de magnitude acrobática não é exatamente uma novidade. Mas usando roupas coloridas e coladas, num cenário futurista psicodélico e contracenando com uma drag queen e uma garota num “spandex”, aí é coisa rara. Foi o que Luc Besson conseguiu urdir com seu O Quinto Elemento. O filme, lançado com certo estardalhaço na época, acabou ganhando um lugar cativo nas prateleiras cults – e olhado de rabo de olho pelos fãs de filmes típicos de ação. Bruce Willis dá alma a essa maluquice com um personagem que viaja entre referências que vão de Taxi Driver, de 1976 (por sinal a profissão dele no filme), aos Jetsons e seus carros voadores. Se seus dons artísticos não são os mais ortodoxos, eles com certeza se casam perfeitamente com o contexto de O Quinto Elemento, fazendo deste um dos filmes imperdíveis do astro.

 

O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999)
Por Matheus Bonez

I see dead people”(ou “eu vejo gente morta”) se tornou uma das frases mais clássicas do cinema, mesmo sendo de um filme relativamente novo. Porém, muito mais do que a sentença, a trama bem amarrada com o final surpreendente, a bela direção de um promissor M. Night Shyamalan, a monstruosa atuação do novato Haley Joel Osment ou a delicada interpretação de Toni Collette, O Sexto Sentido também merece elogios por seu protagonista, um Bruce Willis entregue como nunca havia se visto. Longe dos maneirismos típicos de sua persona como John McClane e seus derivados dos filmes de ação ou dos tipos debochados de comédias bobinhas, aqui o astro está contido na pele do psicólogo que precisa tratar do garoto que vê espíritos. Willis foge da zona de conforto e conduz seu personagem de uma forma tão fora de seu mundo que chega a causar indignação que tal fato tenha passado despercebido na época e o astro não tenha sido lembrado em importantes premiações por tamanha entrega. Seu Malcom Crowe cria empatia imediata não apenas com o menino assustado do filme, mas também com a plateia, que chora junto com seu personagem ao descobrir o que de fato está acontecendo no clímax do longa. Emoção genuína, para dizer o mínimo.

 


Sin City – A Cidade do Pecado
(Sin City, 2005)
Por Eduardo Dorneles

Hartigan é um policial íntegro, em uma cidade absurdamente corrupta de uma história em quadrinhos confessadamente inspirada nos filmes noir dos anos 1940 e 50. Além da imposição física e intelectual e dos altos padrões morais que regem sua postura, ele ainda revela o charme típico dos mocinhos do cinema preto e branco. Para adaptar a saga O Assassino Amarelo, um dos três contos que compõem o filme Sin City – A Cidade do Pecado, era necessário alguém que correspondesse a essas características à altura do personagem. Ninguém melhor do que Bruce Willis para traduzir isso. E ele consegue! O que a princípio seria apenas uma oportunidade de fazer algo novo, se transforma em um dos filmes mais marcantes de sua carreira. Willis não precisa fazer esforço algum para convencer-nos de que ele realmente é o Hartigan. Ainda mais quando a menina que ele salvou ainda pequena – e esse é fio condutor da trama nesse específico arco – volta a correr perigo exigindo que ele retorne à ativa. O que ele não leva em consideração é que ela cresceu e se tornou uma belíssima mulher – Jessica Alba, no caso. E as consequências deste fato – e a  história como um todo – apenas comprovam que Willis e Hatigan são praticamente a mesma pessoa.

 

+1

A Morte Lhe Cai Bem (Death Becomes Her, 1992)
Por Yuri Correa

Vencedor do Oscar de Melhor Efeitos Visuais, A Morte lhe Cai Bem não é o mais lembrado dos filmes de Robert Zemeckis, e quando se fala em Meryl Streep ou Bruce Willis, outros papeis icônicos surgem antes destes realizados aqui. Uma injustiça. O filme é uma deliciosa comédia que mistura humor negro com pitadas de fantasia, trazendo a vaidosa Madeline (Streep), uma atriz em decadência, descobrindo a fórmula para a imortalidade e beleza eterna. Porém, não é a única que sabe deste segredo, e logo ela, sua arqui-inimiga (Goldie Hawn) e seu marido Ernest (Bruce Willis), se veem em uma situação absurda e… hilária. É um filme que chamamos de “redondo”, embora seja o elenco seu carro-chefe, funcionando graças à entrega dos atores que, além de uma química invejável, também demonstram se divertir imensamente em suas performances, levando ainda assim seus papeis a sério. Streep desfila tiques e um timing cômico perfeito, enquanto Willis demonstra que não só de caras durões e impassíveis é feito o seu repertório, e Ernest convence pela ingênua sensibilidade que exibe; e Goldie Hawn e sua enérgica e dissimulada Helen completa o trio de protagonistas de um longa-metragem imperdível, repleto de quotes e momentos memoráveis.


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